Abelardo Da Hora
Abelardo Zaluar
Abraham Palatinik
Abramo, Lívio
Adjacy
Ado Malagoli
Agostinho Batista
Aldemir Martins
Alencastro, Tito De
Alice Brill
Almeida Junior (estamos Captando Obras Do Artista)
Aluisio Carvão
Amaral, Antonio Henrique (estamos Captando Obras Do Artista)
Amira Hermance Bessone
Amoedo, Rodolfo (estamos Captando Obras Do Artista)
Ana Goldberger
Andersen, Alfredo ( Estamos Captando Obras Do Artista)
Anita Malfatti
Antonio Dias
Antonio Maluf
Araujo, Carlos
Arcangelo Ianelli
Arthur Piza
Ascanio Mmm
August Macke
August Rodin
Bandeira, Antônio
Baravelli
Batista Da Costa, Joâo
Bechara,josé
Belmiro De Almeida ( Estamos Captando Obras Do Artista )
Bernard Buffet
Bernardelli, H.
Bianco, Enrico
Bonadei, Aldo
Botticelli, Sandro
Brecheret, Victor
Brennand, Francisco ( Estamos Captando Obras Do Artista )
Bruno Giorgi
Burle, Marx
Bustamante Sá
Cabral, Antônio Hélio
Calixto, Francisco
Camille Pissaro
Camilo Riani
Campão
Campello
Canone, Angelo
Carlos Bracher
Carlos Kubo
Carmélio Cruz
Carpentiere, Antonio
Carybé
Castagneto
Castellane
Castro, Amilcar De ( Estamos Captando Obras Do Artista)
Cecília Braun
Cencin,vincenzo
Cézanne, Paul
Checcacci, Pietrina
Checcacci, Pietrina (esculturas, Trofeus, Serigrafias)
Cholo
Cícero Dias
Clark, Ligia
Clodomiro Amazonas
Clóvis Graciano
Corot, Camille
Da Paz
David Ricci
Di Cavalcanti
Di Ferra
Ditinho Joana
Djanira Da Motta E Silva
Dugran
Durval Pereira
Edgar Degas
Eduardo Lima
Egon Schiele
Élon Brasil
Emeric Marcier
Émile Tuchband
Érico Da Silva
Etore Federighi
Fang
Farnese De Andrade
Fernando Lopes
Fernando P
Flávio De Carvalho
Flávio Shiró Tanaka
Fofo Hemsi
Francisco Aurélio De Figueiredo
Francisco Da Silva (chico Da Silva)
Frans Krajcberg
Franz Marc
Fukuda, Kenji
Fukushima, Tikashi
Galvez, Raphael
Gauguin, Paul
Georges Seurat
Georgina De Albuquerque
Gerchman, Rubens
Gilberto Salvador
Gisele Ulisse
Goeldi, Oswaldo
Granato, Ivald
Grauben
Gris, Juan
Gruber, Mário
Guignard, Alberto Da Veiga
Gustav Klimt
Gustavo Rosa
Harry Elsas
Haydéa Santiago
Heitor Dos Prazeres
Helio Castro
Hélio Oiticica
Henry Moore
Henry Vitor
Iberê Camargo
Ignácio Da Nega
Ingres, Jean Auguste Dominique
Inimá De Paula
Inos Corradin
Ione Saldanha
Ivan Serpa
Ivo Blasi
Jacques (artista Francês )
Jaf
Jenner Augusto
João Câmara
João Werner
Joaquim Tenreiro
Joarez Filho
Jorge Vieira
José Benjamin
José Paulo M. Fonseca
Juarez Machado
Jurandi Assis
Kaminagai, Tadashi
Karol Kossak
Kennedy Bahia
Kobra
Lando
Lasar Segall
Le Sueur, Eustache
Leonardo Da Vinci
Lilian Zampol
Lourdes Rosseto
Luis Sun
Luiz Pinto
Luíza Sartori
Mabe, Manabu
Madiano Tomei
Manet, Edouard
Manoel Santiago
Manuel Eudócio
Marc Chagall
Margarita Farré
Maria Leontina Franco Da Costa
Matisse, Henri
Mecatti, Dario
Meireles, Vitor
Mestre Vitalino
Michelangelo
Milhazes, Beatriz
Militão Dos Santos
Millet, Jean Francois
Mino Carta
Mira Schendel
Miró, Joan
Mitsuharu Ochi
Moby
Modigliani, Amadeo
Monet, Claude
Mota, Agostinho José Da
Mugnaini, Tulio
Naji Ayoub
Nê De Abreu
Nicola Petti
Niobi Xando
Nitzan, Ana Luiza Justus
Nivouliès De Pierrefort
Noemia Mourão
Nonê De Andrade
Norma Piegay Donato
Odetto Guersoni
Oehlmeyer, Edgard
Ortiz Alfau
Oscar Satio Oiwa
Pablo Picasso
Paco Gorospe
Pancetti, José
Pantanero
Panzica
Papas Stéphanos
Parlagreco, Salvador
Parreiras, Antônio
Paul Gagarin
Paul Signac
Paula Rego
Paulo Rossi Osir
Pellegatta, Omar
Pennacchi, Fulvio
Perissinotto, Giuseppi
Peticov, Antônio
Picasso, Pablo
Plínio Viana
Portinari, Cândido
Poteiro, Antônio
Poty
Quina
Ramanefer
Rapoport, Alexandre
Raquel Galena
Raquel Taraborelli
Reembrandt, Van Rijn
Renina Katz
Renoir, Pierre Auguste
Renot
Reynaldo Fonseca
Rezende, Newton
Rita Cavallari
Robert (artista Francês)
Roberto Magalhães
Romanelli
Romano Di Martino
Romano Di Martino (releitura)
Romero Britto ( Giclee )
Romero Britto ( Originais )
Rosina Becker
Rousseau, Henri
Rubens, Peter Paul
Rutenilton Melo
Sabóia, José
Salvati, Giuseppe
Samson Flexor
Sangiuliano, Paulo
Sansão Pereira
Santa Rosa
Sauro De Col
Scliar, Carlos
Sendin, Armando
Serafino Faro
Sérgio Constâncio
Sérgio Ferro
Sérgio Ramos
Sérgio Telles
Sigaud, Eugenio De Proenza
Silvio Oppenheim
Siron Franco
Soares Dos Reis, Antonio Manuel
Sobral, Francisco
Sônia Menna Barreto
Sun Chia Chin
Sylvio Pinto
Takaki, Shokishi
Takaoka, Yoshiya
Tânia Corsini
Tânia Pagliato
Tarsila Do Amaral
Taunay, Nicolas Antoine
Teruz, Orlando
Tito Porazza
Tomás Santa Rosa
Tomie Ohtake
Tomoo Handa
Toulouse-lautrec
Toyota, Yutaka
Turner, Joseph Mallord Willian
Ubirajara Ribeiro
Umberto Boccioni
V. Maranhão
Vaidergorn, Menase
Van Dick, Antoon
Van Gogh, Vincent
Vânia Castaldelli
Vasco Prado
Vermeer
Verri, Luiz
Vicente Do Rego Monteiro
Virginia Sé
Virgolino, Wellington
Visconti, Eliseu D'angelo
Vito Campanella
Vlavianos, Nicolas
Volpi, Alfredo
Wakabayashi, Kazuo
Waldomiro Santana
Walmir Teixeira
Walter Lewy
Wambach, Georges
Willian Blake
Xu Beihong
Yolanda Mohalyi
Yoshida, Hiroshi
Yugo Mabe
Yuji Arimizu
Yvete Ko
Zanini, Mário
Zé Caboclo
Zeminian, Louis
Zina Aita
Ziraldo
Zizi (sapateiro)
Zorlini,ottoni
Zuleno
Obras
Portinari, Cândido
Título:
Cabeça de Boi
Técnica:
Outros
Medida:
13x11 cm
Ano:
1957
Comentários:
Caneta Tinteiro - Projeto Portinari Nº 1969 -- Catálogo Raissonné Nº 4156
Preço:
Sob Consulta
Código:
3697/01
Título:
Baianas
Técnica:
Outros
Medida:
24x28 cm
Ano:
s/d
Comentários:
Rotogravura
Preço:
Sob Consulta
Código:
5561/70
Título:
Colheita de Café
Técnica:
Outros
Medida:
24x28 cm
Ano:
s/d
Comentários:
Rotogravura
Preço:
Sob Consulta
Código:
5562/70
Título:
Seringueiro
Técnica:
Outros
Medida:
24x28 cm
Ano:
2009
Comentários:
Rotogravura
Preço:
Sob Consulta
Código:
5563/70
Título:
Garimpeiro
Técnica:
Outros
Medida:
24x28 cm
Ano:
s/d
Comentários:
Rotogravura
Preço:
Sob Consulta
Código:
5566/70
Título:
Colheita de Cana
Técnica:
Outros
Medida:
24x28 cm
Ano:
s/d
Comentários:
Preço:
Sob Consulta
Código:
5567/70
Título:
Anchieta
Técnica:
Desenho grafite s/ papel
Medida:
8x31 cm
Ano:
1951
Comentários:
Registrado no Projeto
Preço:
R$ 25.000,00
Código:
5963/70
Título:
Retrato de Jânio Quadros
Técnica:
Desenho grafite s/ papel
Medida:
27x21 cm
Ano:
1961
Comentários:
Registrado no Projeto
Preço:
R$ 30.000,00
Código:
5964/70
Título:
Gangorra
Técnica:
Outros
Medida:
7x10 cm
Ano:
1937
Comentários:
Técnica:caneta tinteiro s/papel - Registrado no Projeto
Preço:
R$ 15.000,00
Código:
5965/70
Título:
Preso
Técnica:
Desenho grafite s/ papel
Medida:
15x11 cm
Ano:
1951
Comentários:
Registrado no Projeto
Preço:
R$ 20.000,00
Código:
5966/70
Biografia
Candido Portinari nasce numa fazenda de café, em Brodowski, São Paulo, no dia 29 de dezembro de 1903. Seus pais foram os imigrantes italianos Batista Portinari e Domênica Torquato, que tiveram 12 filhos. Em 1909, o menino começa a desenhar.
No ano de 1912, participa, durante vários meses, dos trabalhos de restauração da Igreja de Brodowski, ajudando os pintores italianos a "Dipingere Le Stelle". Mais tarde, auxilia um escultor frentista.
A partir de uma carteira de cigarros, Portinari faz a lápis um retrato do músico Carlos Gomes em 1914. A família guarda o desenho.
Viaja para o Rio de Janeiro em 1918. Tem aulas de desenho no Liceu de Artes e Ofícios. Matricula-se na Escola Nacional de Belas Artes, na qual estuda desenho e pintura. Seus professores foram Amoedo, Batista da Costa, Lucílio Albuquerque e Carlos Chambeland.
Realiza-se em 1922 na cidade de São Paulo, a Semana de Arte Moderna, porém Portinari não participa. Expõe, pela primeira vez, no Salão da Escola de Belas Artes.
No ano de 1923, Portinari manda para o Salão da Escola de Belas Artes o retrato do escultor Paulo Mazzucchelli, ganhando três prêmios, entre eles a medalha de bronze do Salão.
Participa do Salão Nacional de Belas Artes de 1924 com o quadro Baile na Roça obra com temática brasileira, mas é recusado pelo júri.
Obtém a pequena medalha de prata no Salão de 1925, no qual expõe dois retratos, e recebe a grande medalha de prata no de 1927. Com o retrato do poeta “Olegário Mariano”, ganha o prêmio de Viagem ao Estrangeiro de 1928.
Despejados - 1934
Óleo sobre tela
Tam: 60x73cm
Antes de viajar em 1929, faz sua primeira exposição individual, com 25 retratos, por iniciativa da Associação dos Artistas Brasileiros. Parte para a Europa. Viaja pela Itália, Inglaterra, Espanha e se fixa em Paris."Comecei a trabalhar, mas no meu quarto, porque não consegui ainda ateliê dentro de minhas posses. Contudo, não estou triste, porque não estou perdendo tempo: pela manhã vou ao Louvre, à tarde faço estudos. Não pretendo fazer quadros por enquanto. Aprendo mais olhando um Ticiano, um Raphael, do que para o Salão de Outono todo". (Carta ao amigo Olegário Mariano)
Vai diariamente aos museus, descobre a pintura moderna da Escola de Paris, discute sobre arte nos cafés e não tem quase nenhum tempo para pintar. Conhece Maria Martinelli em 1930, jovem uruguaia de 19 anos, radicada com família em Paris e se casa com ela. Sente saudade de Brodowski e escreve para o Brasil... "Daqui fiquei vendo melhor a minha terra - fiquei vendo Brodowski como ela é. Aqui não tenho vontade de fazer nada. Vou pintar o Palaninho, vou pintar aquela gente com aquela roupa e com aquela cor. Quando comecei a pintar., senti que devia fazer a minha gente e cheguei a fazer o “Baile na Roça”... A paisagem onde a gente brincou a primeira vez não sai mais da gente, e eu quando voltar vou ver se consigo fazer a minha terra..."
O M orro - 1936
Óleo sobre tela
Tam: 73x60cm
Portinari e Maria regressam ao Rio de Janeiro em 1931 e ele passa a trabalhar num ritmo intenso. Participa da comissão destinada a promover a reforma do Salão Nacional de Belas Artes, no qual os artistas modernos são admitidos pela primeira vez. Portinari é convidado pelo então diretor da Escola Nacional de Belas Artes, o arquiteto Lúcio Costa, a fazer parte da comissão organizadora do Salão. Nesse ano, Portinari apresenta 17 obras.
Portinari expõe individualmente no Palace Hotel em 1932, dessa vez exibe obras de temática brasileira - cenas de infância, circo, cirandas. No ano seguinte faz outra Exposição Individual no mesmo local.
No ano de 1934, Portinari pinta “Despejados”, obra de temática social. Intelectuais começam a ver em sua figura o verdadeiro representante plástico do modernismo brasileiro. Tem sua tela “O Mestiço” adquirida pela Pinacoteca do Estado de São Paulo, sendo assim, a primeira instituição pública a incluir uma obra de Portinari em seu acervo.
Em julho de 1935 é contratado para lecionar pintura mural e de cavalete na Universidade do Distrito Federal, no Rio de Janeiro. Ao participar da Exposição Internacional do Instituto Carnegie, nos Estados Unidos, junto com pintores de 21 países, recebe a Segunda Menção Honrosa, com a tela "Café". Essa obra é adquirida, antes mesmo da premiação, pelo Ministro da Educação Gustavo Capanema, para o Museu de Belas Artes.
A Primeira Missa no Brasil - 1948
Têmpera sobre tela
Portinari pinta o seu primeiro mural em 1936, para o monumento rodoviário da Estrada Rio/São Paulo, medindo 0,96 x 7,68 metros. O Ministro Gustavo Capanema convida-o a trabalhar no edifício que será construído para o Ministério da Educação.
Em 1937, com a intenção de dedicar-se ao estudo para os afrescos do Ministério, Portinari, recebe a colaboração de alguns alunos da Universidade do Distrito Federal. Bianco, jovem pintor italiano recém-chegado ao Brasil, é apresentado a Portinari que o convida para trabalhar no Ministério.
O ano de 1938 é marcado pela execução dos trabalhos do Ministério da Educação. No ano seguinte nasce seu único filho, João Cândido, em janeiro desse ano. Executou três painéis para o pavilhão brasileiro na Feira Mundial de Nova Iorque: Jangadas do Nordeste; Cena Gaúcha e Festa de São João. O Museu de Arte Moderna de Nova Iorque adquire o quadro "O Morro", que René Huyghe, Diretor do Museu do Louvre, aconselhara Portinari a não utilizar. Em novembro, expõe 269 trabalhos no Museu Nacional de Belas Artes. A Universidade do Distrito Federal é fechada.
Enterro na Rede - 1944
Óleo sobre tela
Tam: 180x220cm
Portinari participa em 1940 da Exposição de Arte Latino-Americana no Museu Riverside, em Nova Iorque. Expõe com grande sucesso em Detroit e no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. A University Of Chicago Press publica "Portinari, his life and art", o primeiro livro sobre o artista , com prefácio de Rockwell Kent e Josias Leão. Ilustra "A Mulher Ausente", de Adalgisa Nery.
Em Brodowski, na casa de seus pais, Portinari passa a pintar uma capela para sua avó - "Capela da Nonna", que já não mais podia freqüentar a Igreja. Passa vários meses de 1942 nos Estados Unidos, pintando quatro afrescos para a Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso, em Washington. Vê o quadro "Guernica", de Pablo Picasso, que o impressionou profundamente. Ilustra o livro infantil "Maria Rosa", de Vera Kelsey.
A pedido de Assis Chateaubriand, pinta uma série de murais para a Rádio Tupi do Rio, inspirados na música popular brasileira. Realiza nova Exposição Individual no Museu Nacional de Belas Artes em 1943. Ilustra "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis.
Em 1944, pinta três painéis para a Capela Mayrink, Rio de Janeiro. Acaba de executar um ciclo bíblico, que Assis Chateaubriand compra e leva para a Rádio Tupi de São Paulo, onde a influência da Guernica de Picasso é visível. Trabalha com dois painéis da Série Retirantes. Pinta um mural e azulejos sobre a vida de São Francisco de Assis, para a Capela da Pampulha, em Belo Horizonte - MG.
Retirantes - 1944
Óleo sobre tela
Tam: 180x220cm
Portinari perde seu grande amigo Mário de Andrade em 1945. Faz uma "Via Sacra" para a Capela da Pampulha.
Filia-se ao Partido Comunista vendo nessa organização, mesmo clandestina, a chance de lutar contra a ditadura, a favor da anistia e de eleições. Nomes de grande prestígio junto à sociedade reúnem-se à esse Partido. Candidato a Deputado Federal por São Paulo, Portinari perde as eleições. O PCB consegue eleger um Senador - Luiz Carlos Prestes e 14 Deputados.
No ano seguinte expõe na Galeria Charpentier, de Paris, seus quadros e desenhos das séries "Os Retirantes" e "Meninos de Brodósqui" . Recebe a "Legião de Honra" do Governo Francês.
Candidato a Senador, em São Paulo, pelo Partido Comunista, perde por pequena margem de voto em 1947, colocando em dúvida a lisura do pleito. Viaja para Buenos Aires, onde faz uma Exposição Individual, que volta a apresentar em Montevidéu, no Salão da Comissão Nacional de Belas Artes do Uruguai.
Em 1948, pinta em Montevidéu, à têmpera, o grande painel "A Primeira Missa no Brasil", para o Banco Boavista do Rio de Janeiro. Ilustra "O Alienista" de Machado de Assis. No final do ano, Portinari faz uma retrospectiva no MASP (Museu de Arte de São Paulo), tendo as obras Enterro na Rede, Criança Morta e Retirantes, doadas ao Museu por Assis Chateuabriand.
A Chegada da Família Real Portuguesa à Bahia - 1952
Óleo sobre tela
Tam: 47X71cm
Entre 1949 e 1950, pinta o Mural "Tiradentes" para o Colégio de Cataguases. Apesar do convite, não consegue participar da Conferência Cultural e Científica para a Paz Mundial, em Nova Iorque, pois tem seu visto de entrada negado. Viaja para a Itália em fevereiro e visita Chiampo, terra natal de seu pai. Expõe seis trabalhos na XXV Bienal de Veneza. Recebe, pelo painel Tiradentes, a Medalha de Ouro da Paz do II Congresso Mundial dos Partidários da Paz, em Varsóvia.
Participa em 1951, com uma sala especial, da 1ª Bienal de São Paulo. A Bienal conta com mais de 2.000 trabalhos de pintura, escultura, arquitetura e gravura de artistas de 19 países. Na Itália é lançada a monografia Portinari, organizada e apresentada por Eugenio Luraghi (ed. Della Mondione, Milão).
No ano de 1952 pinta para o Banco da Bahia, em Salvador, o Mural "A Chegada da Família Real Portuguesa à Bahia". Com ilustrações de Portinari, o semanário “O Cruzeiro”, publica o romance “Os Cangaceiros” de José Lins do Rego. Pinta um conjunto de obras sacras para a Igreja Matriz da cidade de Batatais - SP, pequena cidade próxima de Brodowski.
O Descobrimento do Brasil - 1954
Óleo sobre tela
Tam: 98x79cm
É inaugurada, em 1953, a decoração para a Igreja de Batatais. E realizada a Via Sacra para integrar o conjunto das obras. Começa a demonstrar um problema grave de saúde devido à intoxicação com tintas. Expõe no Museu de Arte Moderna do Rio uma mostra com mais de 100 obras. Inicia o trabalho dos enormes painéis "Guerra e Paz" para a sede da ONU, em Nova Iorque.
Participa em 1954 com mais quatorze artistas de quinze países da mostra organizada pelo Comitê de Cooperação Cultural com o estrangeiro em Varsóvia, que tem como tema principal a luta dos povos pela paz. Executa também um painel dedicados aos "Fundadores do Estado de São Paulo" para jornal O Estado de São Paulo. Expõe novamente no Museu de Arte de São Paulo. Participa da III Bienal de São Paulo, com uma sala especial. Com os sintomas da intoxicação cada vez mais presentes, é proibido pelos médicos de pintar por algum tempo. "Estou proibido de viver", reclama.
Em 1955, o Internacional "Fine Arts Council", de Nova Iorque, confere-lhe uma medalha como o pintor do ano. Ilustra o Romance "A Selva", de Ferreira de Castro. Em outubro é inaugurado o painel "O Descobrimento do Brasil", encomenda do Banco Português do Brasil, no Rio.
Viaja à Itália e Israel, em 1956, e faz exposição nos Museus de Tel-Aviv, Haifa e Ein Harod. Os painéis "Guerra e Paz" são apresentados no Teatro Municipal do Rio. Recebe o prêmio "Guggenheim's National Award", da Fundação Guggenheim, de Nova Iorque. O Museu de Arte Moderna do Rio edita o livro "Retrato de Portinari", de Antônio Callado.
Seu Baptista
A Maison De La Pensée, em Paris, apresenta a exposição individual de Portinari em 1957, com o patrocínio da Embaixada do Brasil, com 136 obras. Expõe no Museu de Munique. Os painéis "Guerra e Paz" são inaugurados na sede da ONU. Recebe a "Hallmark Art Award", de Nova Iorque. Solomon Guggenheim expõe "Mulheres Chorando" um dos grandes estudos preliminares do painel "Guerra". Expõe no Museu de Munique. Os painéis "Guerra e Paz" são inaugurados na sede da ONU. Recebe a "Hallmark Art Award", de Nova Iorque. No final do ano Portinari começa a escrever suas memórias: “Retalhos da minha vida de infância”: "Eram belas as manhãs frias na época da apanha do café e delicioso o canto dos carros de boi transportando as sacas da colheita. Quantas vezes adormecíamos sobre as sacas. A luz do sol parecia mais forte.
Era somente para nós. Ia pela estrada afora o carro vagaroso, cantando. Dormíamos cheio de felicidades. Sonhávamos sempre, dormindo ou não. Nossa imaginação esvoaçava pelo firmamento. Fantasias forjadas, olhando as nuvens brancas, mais brancas do que a neve. Tudo se movia ao nosso redor como um passe de mágica. Belas eram as seriemas, as saracuras e os tatus. Quando víamos no chão um orifício, sabíamos a que bicho pertencia. Conhecíamos também a maioria das árvores e arbustos, sabíamos a maioria das árvores e arbustos, sabíamos suas serventias para as doenças; as chuvas, o arco-íris, as nuvens, as estrelas, a lua, o vento e o sol eram-nos familiares. O contacto com os elementos moldava nossa imaginação e enchia nosso coração de ternura e esperança."
Mestiço
Óleo sobre tela
Tam: 81x61cm
Expõe em 1958, inaugurando a Galleria Del Libraio, em Bolonha - Itália, os trabalhos com motivos de Israel, os quais mostra a seguir em Lima e Buenos Aires. É convidado de honra, com sala especial, na 1ª Bienal do México. No retorno de uma viagem pela Europa declara que passará a dedicar-se à poesia. É convidado para receber em Bruxelas, a Estrela de Ouro. Seu pai "Seu Baptista", morre no Rio de Janeiro.
No ano seguinte expõe na Galeria Waldenstein, em Nova Iorque e no Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires. A pedido da Librarie Gallimard, executa doze ilustrações, em cores, para "O Poder e a Glória", romance de Graham Greene. Ilustra também, com trinta gravuras , "O Menino de Engenho", de José Lins do Rego. Pinta o mural "Inconfidência Mineira" para o Banco Hipotecário e Agrícola de Minas Gerais S/A, do Rio de Janeiro. Na V Bienal de São Paulo, expõe 130 trabalhos.
Após 30 anos de casamento, Portinari separa-se de Maria em 1960, que, assumindo mais que o papel de esposa, ajudava-lhe com os problemas do cotidiano, deixando-o livre para dedicar-se mais tempo ao seu trabalho. Mesmo separados, Maria continua a prestar-lhe assistência. Ainda para a Librarie Gallimard, ilustra os romances "Terre Promisse" e "Rose de September", de André Maurois.
Executa cinco painéis para o Banco de Boston de São Paulo: "Os Bandeirantes", "Fundação de São Paulo", "Colheita de Café", "Transporte do Café" e "Industrialização". Expõe individualmente na Checoslováquia, em São Paulo e na Galeria Bonino, no Rio. É convidado a participar do júri da II Bienal do México. Realiza-se em Moscou, uma mostra de fotografias de várias de suas obras. Nasce sua neta Denise. Feliz com o nascimento de sua neta, declara: "Minha neta me libertará da solidão" (Poemas: cento e vinte e seis, 1960). A partir daí, passa a retratar sua neta em pintura e poesia.
Auto-Retrato
Faz a última viagem à Europa em 1961. Encontra-se com seu filho João Candido em Paris, revê amigos e lugares que há muito lhe emocionavam. Sua saúde mostra-se mais uma vez abalada, devido à doença que o atacara. Juntamente com o amigo Eugenio Luraghi, planeja a exposição para o ano seguinte em Milão. Em julho a galeria Bonino, no Rio de Janeiro, apresenta a última exposição do artista em vida.
Envolvido no trabalho para a exposição de Milão, descuida-se de vez de sua saúde. Morre, no dia 06 de fevereiro de 1962, na Casa de Saúde de São José, no Rio de Janeiro, vítima de intoxicação das tintas que utilizava. Seu corpo é velado no Ministério da Educação, de onde sai o enterro, com grande acompanhamento.
"Quando o esquife de Portinari saiu do Ministério, na manhã do dia 8, em carreta do Corpo de Bombeiros, dos edifícios envidraçados, do pátio do Palácio da Educação, das bancas de jornais, dos cafés em súbito silêncio diante da Marcha Fúnebre e do Hino Nacional, voltaram-se para o cortejo milhares de caras irmãs das que aparecem nos Morros, nos Músicos nos Retirantes de Portinari. Milhares de anônimas criaturas suas disseram adeus ao pintor, miraram uma última vez o claro e sutil feiticeiro que para sempre se aprisionou em losangos de luz e feixes de cor. Como se no espelho apagado da vida do artista ardesse num último lampejo tudo aquilo que refletira durante a vida". (Antônio Callado)
Informações retiradas do site
WWW.CASADEPORTINARI.COM.BR
Curriculum
CRONOLOGIA
1903 - Cândido Portinari nasce no dia 30 de dezembro de 1903 em uma fazenda de café em Brodósqui, estado de São Paulo.
1919 - Muda-se para o Rio de Janeiro onde ingressa na Escola Nacional de Belas Artes, já decidido a seguir a carreira a artística.
1928 - O retrato do poeta Olegário Mariano recebe a medalha de ouro no Salão de Artes da ENBA. Portinari ganha também uma viagem à Europa.
1929 - Com o sucesso consolidado, Portinari realiza sua primeira exposição individual no Palace Hotel do Rio de Janeiro.
1930 - Radicado em Paris, o pintor brasileiro se aproxima de artistas europeus como Van Dongen e Othon Friesz. Conhece também Maria Martinelli, sua futura esposa.
1931 - Portinari volta ao Brasil com novas tendências. Dá início a uma reciclagem artística na qual valoriza a cultura brasileira.
1934 - Transitando entre a pintura a óleo e afrescos, Portinari se aproxima cada vez mais de poetas e intelectuais modernistas de São Paulo.
1939 - Portinari expõe obras no Pavilhão Brasil da Feira Mundial em Nova York. Alfred Barr, diretor do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) se interessa imediatamente pela tela "Morro do Rio". A obra é comprada e incluída no acervo do Museu.
1940 - O impacto da obra de Portinari no MoMA leva o museu a organizar uma exposição exclusiva do artista brasileiro em Nova York.
1945 - Portinari se consolida como grande pintor do brasileiro, principalmente do homem comum. O artista sofre muito com a morte de seu amigo Mário de Andrade.
1951 - Portinari ganha destaque na I Bienal de São Paulo.
1954 - Com princípio de intoxicação pelas tintas, Portinari apresenta problemas de saúde e é proibido de pintar por seu médico.
1961 - Depois de viver os últimos anos sem grandes pinturas, apenas acompanhando suas exposições pelo mundo, Portinari sofre diversas recaídas da doença. Sua última exposição individual em vida acontece em julho no Rio de Janeiro.
1962 - Desobedecendo a ordens médicas, Portinari continua a pintar para uma grande exposição em Milão. No começo do ano sua saúde se deteriora muito e nos primeiros dias de fevereiro ele é internado e morre na manhã do dia 06 de fevereiro.
Especial
A amarga realidade
Tarde da noite, o garoto de apenas quinze anos entra na pensão onde trabalha em troca de uns poucos níqueis e onde, por consideração, o deixam dormir em algum canto, com a condição de que não perturbe o sossego dos hóspedes. Vinha de retorno de suas aulas de pintura no Liceu de Artes e Ofícios e tudo o que queria era algo com que matar a fome.
De dentro de seu alforje, tira um pouco da gelatina que, na escola, é distribuída aos alunos para mesclar às tintas, dando-lhes a consistência necessária. Do que sobrou, o menino trouxe um pouco para casa, colocou ao fogo e, juntando ao pão duro e amanhecido, fez sua última refeição.
Havendo iludido seu estômago com essa estranha mistura, foi a um dos banheiros da casa, colocou no chão algumas tábuas, jogou sobre elas um colchão de crina e deitou-se.
Estava encerrado mais um dia de luta. No dia seguinte, a rotina seria a mesma. Ao deixar a família no distante interior paulista, para vir sozinho ao Rio de Janeiro estudar pintura, Candinho nem por sombra imaginava as agruras por que teria de passar.
Mas um dia tudo deveria melhorar, tinha certeza disso. E nessa confiança adormeceu, refazendo as forças para a jornada de um novo dia e, à noite, para o reencontro com pincéis, telas e sonhos.
Pintando estrelas,
construiu um sonho
Candido Portinari nasceu em Brodowski, próximo a Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, em 29 de dezembro de 1903. Seus pais tinham vindo do nordeste da Itália para «fazer a América» mas, tarde demais, descobriram que a realidade do imigrante não era aquele devaneio criado pela propaganda dos contratadores de imigração.
Trabalhando de sol-a-sol, com salários minguados e uma forte concorrência, o desiludido imigrante podia agradecer aos céus por conseguir, mal e mal, dar abrigo e alimentação à numerosa família. Eram quinze ao todo: O casal e mais treze filhos que, na idade em que deveriam estar brincando, já participavam com seu esforço no sustento da casa.
Não, não era o que hoje se costuma rotular de «exploração ao trabalho infantil». Era, sim, a única opção de sobrevivência, a linha crítica entre a vida e a morte. Ou trabalhavam todos, ou estavam todos condenados à morte, ou pela fome, ou pela tuberculose. Trabalhar, pois, era a garantia de vida, ainda que na miséria.
Aos nove anos, Candinho já havia conseguido seu primeiro emprego como ajudante junto a artistas italianos que restauravam a pintura na igreja em Brodowski. Explicando-lhe as técnicas elementares, os pintores o ensinaram a refazer as estrelas, que eram a parte mais simples do conjunto.
As estrelas iluminaram seu caminho, construiram um sonho bonito e inspirador. Havia de ser pintor, também. E como lhe dissessem que a rota da fama e da prosperidade passa obrigatoriamente pelo Rio de Janeiro, durante três anos juntou dinheiro, o suficiente para chegar até a capital federal, onde o encontramos na maior penúria, mas confiante do futuro que o destino lhe reservara.
Entre pedras e rosas
Em 1918, Portinari estudava pintura no Liceu de Artes e Ofícios. Em 1921, finalmente, conseguiu ingressar na Escola Nacional de Belas-Artes, para um curso avançado.
Se era carente de recursos materiais, não faltaram a Portinari grandes mestres que iriam orientar sua vida, dando a ela sentido e direção: estudou desenho com Lucílio de Albuquerque (marido de Georgina); aprendeu pintura com Rodolfo Amoedo e João Batista da Costa. Viveu o ambiente da Academia, convivendo com futuros artistas, respirando arte e abrindo, ainda que com extrema dificuldade, a larga estrada que o conduziria ao futuro.
Em 1920, vendeu sua primeira tela, Baile na Roça; em 1922, expôs no Salão Nacional de Belas-Artes, sendo completamente ignorado. Mas em 1923, voltando à exposição com outro quadro, recebeu a medalha de bronze e um pequeno prêmio em dinheiro, apenas como estímulo.
Nos Salões seguintes conseguiu primeiro a medalha de prata e depois a grande medalha de prata. E, o que é melhor, passou a ser notado pelos críticos, recebendo de Flexa Ribeiro palavras de estímulo:
«De seu sentimento, muito devemos esperar: alguma coisa da alma florentina tenta renascer nesse adolescente que é, desde já, um espiritualista.»
A viagem, o casamento,
a nova vida
O ano de 1928 selou sua sorte, quando ganhou o ambicionado prêmio de viagem, que lhe permitiu visitar França, Itália, Inglaterra e Espanha, voltando para o Brasil ao fim de dois anos.
O resultado de sua viagem pareceria, a quem o visse, decepcionante. Em dois anos, pintara apenas três pequenas naturezas-mortas. Só isso e nada mais.
Todavia, o ano de 1930, marcou uma virada em sua vida. Primeiro, casou-se com Maria Vitória Martinelli, uma uruguaia que viria ser, para todo o sempre, o esteio de sua carreira. Segundo, com a bagagem cultural adquirida durante a viagem, passou a pintar desenfreadamente, por vezes até um quadro a cada dia.
Aos poucos, vai se desfazendo da tutela da Academia, sua arte ganha fluidez e liberdade e, em 1931, já se faz notado no Salão Revolucionário, onde sua obra, eclética e extensa, é bem recebida tanto pelos acadêmicos como pelos precursores da arte moderna.
Na Escola Nacional de Belas-Artes, assumia Lúcio Costa, com o propósito de abrir os horizontes daquela instituição. O Brasil vivia o encantamento da 2ª República, iniciada em 1930 e o governo revolucionário, precisando construir edifícios para acomodar a nova estrutura do poder, passou a procurar artistas com idéias avançadas no tempo.
Durante todo o período do Estado Novo, depois de uma curta e frustrada experiência como professor de pintura, Portinari vai conseguindo encomendas oficiais uma após outra: no Ministério da Educação, no pavilhão brasileiro da Feira Mundial em Nova York, na biblioteca do Congresso em Washington etc., etc. Por fim, a convite do prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, trabalha no controvertido projeto da Igreja de São Francisco, no complexo arquitetônico de Pampulha.
Portinari confiou no futuro, trabalhou arduamente, e o futuro virou presente.
Esposa, companheira
e marchande
Se bem sabia pintar, Portinari não tinha jeito algum para o comércio de seu trabalho e em breve sua esposa Maria assumiu os negócios para evitar que o pintor doasse seus quadros ou os vendesse por valores simbólicos. E ela o fazia com determinação, para marchand nenhum pôr defeito, conforme episódio contado por Deocélia Viana, viuva do radionovelista Oduvaldo Viana:
«Oduvaldo foi ao Rio com o intuito de adquirir um quadro de Candido Portinari, seu velho amigo. Candido tinha um nome adequado. Aquele seu jeito provinciano, ar ingênuo e de uma candura enorme. Ficou feliz de ver Oduvaldo. (...)
«Meu marido explicou o que queria e Cândido levou-o a ver seus quadros. Oduvaldo escolheu um lindíssimo, As Lavadeiras. (...) Veio a Maria para fechar o negócio. (...) E ficou combinado que pediriam ao Modesto de Sousa, velho e grande ator, que apanhasse o quadro e o mandasse para São Paulo. (...)
«Oduvaldo voltou e, uns quinze dias depois, Modesto de Sousa foi buscar o quadro. "E o dinheiro?," perguntou Maria. "Oduvaldo ficou de remeter," respondeu ele. "Bom, depois que o dinheiro chegar, você leva o quadro."
«Oduvaldo se queimou, ficou furioso, não mandou o dinheiro, porque era um desaforo a Maria duvidar dele e, por uma bobagem, ficamos sem o quadro do grande Portinari.»
Vida, paixão e morte
Seu primeiro encanto foi o nascimento do único filho, João Cândido, em 1939. O intenso trabalho, que incluía três painéis para o pavilhão brasileiro na feira internacional em Nova York, não o impediam de viver a vida familiar.
Através dos anos, entre telas, murais, pincéis e tintas, havia tempo de sobra para manter-se ligado à família, mulher e filho, com um vínculo indissolúvel, tão indissolúvel como sua paixão pela arte.
Mas em 1954, começa a sentir o efeito do contato diuturno com as tintas. O médico lhe diz que está com uma dose anormal de chumbo no organismo e, para evitar uma contaminação maior, deve abandonar por completo a pintura a óleo ou similares.
Portinari tenta partir para outras técnicas, usando até lápis de cor e caneta a tinteiro, numa mistura de desenho com pintura, mas sente-se reprimido, impedido de liberar por inteiro suas emoções e sua capacidade artística
Em 1960, um novo ser vem povoar sua vida: a pequena Denise, filha de João Candido, que ele passa a cantar em prosa em verso. Delicia-se com seus primeiros passos suas primeiras palavras, transforma-a em modelo de suas novas criações.
Contrariando determinações médicas, volta a usar o óleo para retratar sua neta, para a qual pinta pelo menos um quadro por mês.
O médico estava certo. O retornou às tintas aumentou o grau de contaminação do organismo, debilitando de vez sua saúde. E Candido Portinari vem a falecer em 6 de fevereiro de 1962, aos 58 anos de idade, no auge da fama, consagrado, no Brasil e no mundo, como um dos maiores pintores do Século 20. (Texto de Paulo Victorino).
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