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Fukushima, Tikashi

  • Obras
  • Biografia
  • Curriculum
  • Especial
 
Título: Abstrato
Artista: Fukushima, Tikashi
Técnica: Pintura óleo s/ madeira
Medida: 38x46 cm
Ano: s/d
Comentários:   -
Preço: Sob Consulta
Código: 4645/1
 

 
Título: Abstrato
Artista: Fukushima, Tikashi
Técnica: Pintura óleo s/ tela
Medida: 100x40 cm
Ano: s/d
Comentários:   a.c.i.d
Preço: Sob Consulta
Código: 6569/1
 
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Do outro lado
do mundo

Ano de 1940. Estamos em Lins, uma cidade de porte médio no interior do Estado de São Paulo, que, no momento desta narrativa, teria, quando muito, uns trinta mil habitantes, quase todos com sua atividade ligada ao campo. Dois jovens de origem nipônica, emocionados, se encontram e se comunicam no idioma de sua terra natal.

Um deles é Tikashi Fukushima, 20 anos, fugitivo de guerra, que acabava de chegar ao Brasil. E chegou ao Brasil bem a tempo, pois o Japão, envolvido em acordo secreto com os nazistas, em breve atacaria a base de Pearl Harbour, nos Estados Unidos, entrando abertamente no conflito, fechando suas fronteiras e tornando quase impossível a saída do país. Havendo trabalhado em sua terra como desenhista, agora, premido pelas circunstâncias, foi para a lavoura, arrancar da própria terra o seu sustento.

O outro é Manabu Mabe, um adolescente de 16 anos, no Brasil desde 1934, e que, juntamente com a família, também era um trabalhador rural. O que o unia ao recém chegado, além da pátria, era a paixão pelo desenho e pela pintura. Braços cansados e mãos calejadas, ainda encontrava fôlego e tempo para fazer suas experiências com as tintas, copiando da natureza as cores fortes e brilhantes que tanto o impressionaram no Brasil.

Anos se passaram e os dois seguiram, por caminhos diferentes, o mesmo destino que a vida lhes reservara. Ambos se tornaram pintores e ambos adquiriram renome; Ambos sentiram uma atração natural pela abstração, que se tornou, para um e outro, a fase mais importante e derradeira de suas carreiras.

De dia, comércio;
de noite, ateliê

Tikashi Fukushima nasceu em Fukushima (Hokkaido), Japão, em 19 de janeiro de 1920, e veio para o Brasil em 1940, farejando a entrada de seu país no conflito mundial. Depois de alguns anos no interior de São Paulo, mudou-se para a Capital, abrindo uma molduraria na zona sul, onde, em breve, estaria formando um grupo de pintura, que ficou conhecido como Grupo Guanabara, nome do logradouro onde seu comércio estava instalado.

Em torno do Grupo Guanabara, se reuniam, além de Fukushima, outros pintores de origem japonesa como Yoshiya Takaoka (1909-1978), Yuji Tamaki (1916-1979), Tomoo Handa (1906-1996),Valter Shigeto Tanaka (1910-1970), Takeshi Suzuki (1908-1987),fb

Hajime Higaki (1908), Kenjiro Massuda (1915-1960) e Jorge Mori (1932). A todos esses, de origem nipônica, juntaram-se alguns «estrangeiros», como Arcangelo Ianelli (1922).

Quase todos tinham vários pontos em comum: moravam na Vila Mariana, que, com os bairros contíguos da Liberdade e do Paraíso, formam os grandes redutos japoneses em São Paulo; vieram do Japão como imigrantes e se instalaram como agricultores em várias cidades do interior paulista; todos eram pintores emergentes, de grande talento, mas nenhum havia conseguido, ainda, projeção no cenário artístico.

Era uma cidade
diferente

É claro que uma sociedade de tal natureza só poderia progredir. A oficina de Fukushima (ele e Mori eram os caçulas da turma) de dia fazia molduras, de noite, transformava-se em ateliê. E, nos fins de semana, o grupo saía pelas cercanias em busca de cenários que lhes servissem de inspiração.

E o que encontravam! Nas décadas de 40 e 50, São Paulo ainda não se tornara a selva de pedras que é hoje. Vila Mariana ainda era um bairro bucólico, com sua estação de bondes, com casas térreas e uma paisagem até bonita. Um pouco mais adiante, o bonde entrava em caminho próprio, a linha da antiga Estrada de Ferro São Paulo-Santo Amaro e virava trem: apitava como trem, tinha estações no lugar de simples paradas e, a cada parada, um pequeno povoado, com chácaras, ruas de terra, árvores, enfim, o campo dentro da cidade.

O Grupo Guanabara organizou várias exposições até 1959, ano em que se dissolveu e, a partir de então, vários pintores, entre eles Fukushima, passaram a participar das exposições de outro agrupamento da colônia japonesa, o Grupo Seibi, que ainda subsistiria até 1972.

Um teste de
qualidade

Fukushima esteve presente em várias exposições da Bienal de São Paulo, desde sua fundação em 1951; do Salão Nacional de Arte Moderna e do Salão Nacional de Arte Moderna; expôs em outros Estados, como em Belo Horizonte-MG e Curitiba-PR, Salvador-BA; seus quadros viajaram o mundo em exposições, destacando-se a Bienal de Tóquio, em 1963.

Da arte simplesmente contemplativa, Fukushima foi caminhando rapidamente para o cubismo para, finalmente, mergulhar no abstracionismo, onde se encontra a fase mais importante e mais produtiva de sua obra.

Segundo o filho, Fukushima, terminado um quadro, fazia seu rastreamento, de cima abaixo e de lado a lado, em busca de senões que pudessem ser corrigidos ou de detalhes que pudessem ser apurados. Quando nada mais achasse, então acrescentava ao quadro um sinal japonês correspondente à letra «i», indicando que o quadro atingira seu maior grau de perfeição.

A propósito, não confunda o pai, Tikashi, com o filho, Takashi: os nomes são muito parecidos, os dois são pintores, mas há uma distância de uma geração entre um e outro, além do que, cada um abre o próprio caminho a seu momento e a seu modo. Pode-se transmitir às gerações vindouras a técnica da pintura, mas não o modo de ser de um pintor. Este é como uma carteira de identidade: pessoal e intransferível.

Texto de Paulo Victorino

Fonte: Site Pitoresco
Formação

1946 - Rio de Janeiro RJ - Convive com Tadashi Kaminagai, de quem se torna aluno de pintura
1947/1948 - Rio de Janeiro RJ - Freqüenta aulas na Enba, como ouvinte
Cronologia
Pintor, gravador
ca.1938 - Yokohama (Japão) - Durante dois anos é desenhista em uma fábrica de aviões
1940 - Pompéia SP - Vem ao Brasil a convite de um dos tios e trabalha, inicialmente, com os parentes numa loja de secos e molhados
1942 - Lins SP - Vive nessa cidade
ca.1945 - São Paulo SP - Vive nessa cidade
1946 - Rio de Janeiro RJ - Transfere-se para essa cidade para trabalhar como assistente do pintor Tadashi Kaminagai (1899 -1982)
1949 - São Paulo SP - Monta oficina de molduras no Largo Guanabara, no bairro do Paraíso
1949c. - São Paulo SP - Integra o Grupo Seibi
1950 - São Paulo SP - É um dos fundadores do Grupo Guanabara, nome tomado do largo onde ficava sua casa e oficina, ponto de encontro de artistas como Tomoo Handa (1906 - 1996), Arcangelo Ianelli (1922), Armando Pecorari (1903 - 1979) e Alzira Pecorari (1916)
1970 - Osaka, Tóquio e Fukushima (Japão) - Volta ao Japão pela primeira vez, por ocasião da Exposição Mundial de Artes em Osaka, da qual participa. Visita sua região de origem
1972 - Maryland (Estados Unidos) - Durante uma temporada, pinta em um ateliê alugado
1977/1990 - São Paulo SP - Presidente da Comissão de Artes Plásticas da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa
1979 - São Paulo SP - Membro da Comissão de Artes da Fundação Brasil-Japão de Artes Plásticas - M.O.A.
1981 - Rio de Janeiro RJ - Realiza painel para o Banco Bozzano Simonsen
1982 - São Paulo SP - Realiza painel para o Banco Bozzano Simonsen
1995 - São Paulo SP - É escolhido presidente do Museu de Arte Nipo-Brasileiro
1997 - Recebe do imperador do Japão a Ordem do Tesouro Sagrado Raios de Ouro
2001 - São Paulo SP - Recebe o prêmio de melhor retrospectiva do ano da Associção Paulista dos Críticos de Arte - APCA
2001 - São Paulo SP - Seu filho, Takashi Fukushima, edita um livro sobre sua vida e obra, e organiza uma exposição retrospectiva de sua produção, como objeto de mestrado junto ao curso de pós graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP

Atualizado em 20/01/2005





Fonte: Itaú Cultural
.


















Morre em São Paulo o pintor Tikashi Fukushima

JOTABÊ MEDEIROS
O Estado de S. Paulo
16 de outubro de 2001


Artista japonês, que participou da
1.ª Bienal de São Paulo,
tinha 81 anos
.


Morreu no domingo em São Paulo o artista plástico Tikashi Fukushima, aos 81 anos. Nascido em Kashima, no norte do Japão, em 19 de janeiro de 1920, Fukushima veio para o Brasil em 1940, com receio da entrada de seu país na 2.ª Guerra.

Segundo seu filho, Takashi Fukushima, também artista plástico e professor universitário, Fukushima fora internado na quarta-feira com suspeita de enfarte no Hospital Santa Cruz. Foi submetido a uma angioplastia e, à meia-noite de domingo, não resistiu.

O pintor e artista plástico, que participou da primeira Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, teve a história de sua vida e sua arte publicados em livro, recentemente. Fukushima por Fukushima, editado pela Imprensa Oficial do Estado, foi escrito pelo filho, Takashi, como sua tese de mestrado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

Fukushima também organizou uma minirretrospectiva da obra do pai na Pinacoteca do Estado, em janeiro, por ocasião do lançamento do livro.

Quando chegou do Japão, Fukushima morou em Lins, no interior de São Paulo, e depois veio para a Capital, abrindo uma molduraria na zona sul. Entre seus clientes, que levavam quadros para que ele emoldurasse, estavam Lasar Segall, Aldo Bonadei, Inimá de Paula, entre outros.

Ali nas imediações do Largo Guanabara, no Paraíso, onde vivia, reuniu um grupo de pintores de origem japonesa, naquele que ficou conhecido como o Grupo Guanabara. Entre eles, estavam Yoshiya Takaoka (1909-1978), Yuji Tamaki (1916-1979), Tomoo Handa (1906-1996),Valter Shigeto Tanaka (1910-1970), Takeshi Suzuki (1908-1987), Hajime Higaki (1908), Kenjiro Massuda (1915-1960) e Jorge Mori.

Além do time nipônico, outros artistas importantes ingressaram no grupo, como Arcangelo Ianelli.

Retratavam, em geral, marinhas, casarios e naturezas-mortas. A última exposição do Guanabara foi realizada em 1959. Logo a seguir, todos os artistas daquele grupo passaram para a pintura abstrata.

“Ao chegar ao Brasil, ele não tinha realizado até então nenhuma atividade artística”, disse ontem o filho, Takashi. “Começou aqui no Brasil”, lembra.

Fukushima era um imigrante comum, diz o filho. Só não começou a trabalhar na lavoura porque arrumou um emprego num armazém de secos e molhados. Nos intervalos do trabalho, desenhava.




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