«Esse artista tem o pincel rápido e é muito fiel na reprodução das águas flutuantes do mar, e das cenas navais.»
O pintor nunca mais deixaria a Inglaterra, tornando-se, em breves anos, Marine Painter in ordinary to Her Majesty Queen Victoria, e após a morte da soberana, pintor de marinha de Eduardo VII e Jorge V.
Sua glória espraiou-se por toda a Europa, e por volta de 1892 Vittorino Vecchi podia escrever, em sua Storia generale della marina militare:
«É gloria nostra che le dure battaglie su fíumi siano ricordati sul tella del pittore Edoardo De Martino da Sorrento, un tempo sottotenente de vascelo nell'Armata Italiana ed ora meritamente considerato comme il migliore penello marinista vivente.»
Um íntimo da familia
real inglesa
Desfrutando da amizade da Família Real Inglesa, cujos membros costumava acompanhar em longas excursões por mar, faleceu em Londres, a 21 de maio de 1912.
Nesta cidade, no Palácio de Buckingham, podem ser apreciadas algumas de suas obras mais importantes: as quatro versões da Batalha de Trafalgar, de um ciclo dedicado à vida do Almirante Nelson.
Um inimigo e tanto
No curto espaço de tempo vivido no Brasil, De Martino não teve o dom de impressionar a crítica, que freqüentemente o tratou com extremo rigor, e mesmo aspereza.
Gonzaga Duque, por exemplo, assim o enfoca em Arte brasileira:
«De Martino era um amador, cujos estudos artísticos foram imperfeitos; tudo quanto fez foi devido ao seu notável pendor para a pintura; e, inteligente, afoito, encorajado, conhecendo muito bem o meio em que vivia, e sabendo com habilidade pouco comum insinuar-se, viu na pintura histórica uma explorável fonte de lucros.
«A animosidade com que era dotado fê-lo empreender esses trabalhos. Conquistando amizades na sociedade das influências políticas deste país, pôde vender os seus quadros, senão muito bem, contudo, por preço muito acima do seu valor real.
«Na verdade, essas obras nada valem. Os erros que aí se notam são crassíssimos. Faltou-lhes, para tudo dizer, desenho de arabesco, desenho de detalhe, unidade de composição, conhecimento de claro-escuro, densidade de cor, tonalidade, nuanças, proporções, enfim, tudo quanto é indispensável em um pintor histórico.»
Juízo decerto severo, beirando a pura e simples antipatia pessoal. Porque, se faltou a De Martino aprendizagem acadêmica, sobrou-lhe um agudo senso de observação.
Uma visão mais serena
De resto, foi sensível, como o comprovam não apenas alguns óleos, como principalmente aquarelas e raros desenhos, alguns de tal finura de traço, de tal elegância formal, que constituem obras de arte acabadas, apesar de não passarem de esboços, muitas vezes executados sur le motif, em circunstâncias as mais desconfortáveis, algo à maneira dos antigos holandeses, a quem certamente terá estudado após radicar-se na Inglaterra.
Marinheiro, foi com total conhecimento de causa que pintou os navios e seus apetrechos; pois não é demasiado lembrar que não tanto o mar como os navios constituem sua temática principal, ao contrário, por exemplo, de um Castagneto, mais novo do que ele, e que iria substitui-lo, no gosto dos brasileiros, como nosso principal pintor de marinhas.
De Martino deixou no Brasil obra considerável, recolhida a museus e a coleções particulares.
E há uma circunstância que não pode ser esquecida: coube-lhe orientar, ainda que por pouco tempo, o então muito jovem Teles Júnior, piloto da Marinha Mercante de passagem por Porto Alegre, em 1869.
Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»