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Este é o quadro mais importante já produzido no Brasil.
 

Iberê Camargo

  • Obras
  • Biografia
 
Título: Paisagem de Jaguari
Artista: Iberê Camargo
Técnica: Pintura óleo s/ tela
Medida: 49x55 cm
Ano: 1947
Comentários:   ESTA OBRA FOI VENDIDA EM UM LEILÃO EM JULHO DE 2002 PELO VALOR DE R$ 52.500,00 - DOLLAR DA ÉPOCA (U$ 19.090) (fonte site Pitoresco)
Preço: Sob Consulta
Código: 4061/1
 

Nascido em Restinga Seca (RS) e falecido em Porto Alegre. Pintor, desenhista e gravador, um dos mais importantes artistas brasileiros do século.

Iniciou seus estudos na Escola de Artes e Ofícios de Santa Maria com Salvador Parlagreco e Frederico Loebe, em seguida freqüentando em Porto Alegre o curso técnico de arquitetura do Instituto de Belas Artes (1936-1939), ao mesmo tempo em que tomava aulas de pintura com João Fahrion.

Realizou sua primeira individual em 1942, em Porto Alegre, nesse mesmo ano transferindo-se ao Rio de Janeiro com bolsa de seu Estado natal afim de se aperfeiçoar em pintura.
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A influência
de Guignard

Na capital cursou por muito pouco tempo a Escola Nacional de Belas Artes, mas não se adaptando à orientação acadêmica ali vigente trocou-a pelos ensinamentos de Guignard, ministrados durante apenas dois meses em dependências do prédio da União Nacional dos Estudantes à Praia do Flamengo para um grupo de cerca de 30 alunos.

«Cheguei ao Rio em agosto de 1942. E trazia comigo uma grande vontade de aprender. Através do casal Augusto Meyer conheci Portinari e Lelio Landucci, a quem me liguei fraternalmente. Landucci, sensível e inteligente, sabia ver e ensinar a ver.

«Após uma rápida passagem pela Escola Nacional de Belas Artes, tornei-me aluno de Guignard. A sua obra teve breve influência sobre o meu trabalho, mas marcou-me para sempre a pureza do seu espírito.»
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A gafieira
virou ateliê

Em 1943 Iberê fundou com Geza Heller e Elisa Byington o Grupo Guignard, um ateliê coletivo que funcionava num prédio da Rua Marquês de Abrantes, em Botafogo, onde antes existira a gafieira Flor do Abacate, o que levou o poeta Manuel Bandeira a batizar o grupo de «Nova Flor do Abacate».

Guignard se incumbia das aulas de desenho e pintura, e segundo Iberê «impunha o uso do lápis duro, duríssimo, o que deixava sulcos no papel como se tivessem sido feitos por um prego».

Dessa mesma época datam seus primeiros ensaios com a gravura em metal, sob a orientação de Hans Steiner e do próprio Guignard.
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Alçando o vôo das águias

Recebendo em 1947, pela Divisão Moderna do Salão Nacional de Belas Artes, o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro, estuda em 1948 em Roma com De Chirico, Achille, Rosa e Petrucci, e em 1949 em Paris com André Lhote, retornando em 1950 ao Brasil.

Em 1953 torna-se professor de gravura no Instituto de Belas Artes do Rio de Janeiro, lecionando mais tarde essa técnica em seu próprio ateliê ou em permanências mais ou menos longas em Porto Alegre e outras cidades, inclusive do Exterior.

Tendo participado de vários salões da Bienal de São Paulo (Prêmio de Melhor Pintor Nacional na 4ª Bienal, em 1961, salas especiais de pinturas, gravuras e desenhos na 7ª Bienal, em 1963, e na 9ª Bienal, em 1971), Iberê tomou parte também em 1961 da Bienal de Tóquio (voltando a fazê-lo em 1968) e em 1962 da Bienal de Veneza, além de ter realizado uma retrospectiva no MAM-RJ.
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Entre mostras e encomendas

Sempre em 1962 pintou por encomenda da Companhia de Navegação Costeira dois grandes painéis para os navios "Princesa Isabel" e "Princesa Leopoldina", do mesmo modo como em 1966 seria o autor do grande painel oferecido pelo Brasil para figurar na sede da Organização Mundial da Saúde em Genebra, na Suíça.

O artista realizou inúmeras individuais, em cidades como Porto Alegre, Santa Maria, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Niterói, Montevidéu, Paris, Londres e Washington.

Destacam-se as retrospectivas de 1979 no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (desenhos), repetida em 1980 no Museu Guido Viaro de Curitiba, a exposição comemorativa dos 70 anos do artista, que itinerou em 1984 por Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.
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Mais
exposições

Acrescente-se a retrospectiva de 1990 no Espaço Cultural Banco Francês e Brasileiro em Porto Alegre (gravuras), repetida em 1991 no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e a grande retrospectiva de 1994 no Centro Cultural Banco do Brasil, também no Rio de Janeiro.

Quanto a coletivas nas quais marcou presença no exterior, mencionem-se, por sua importância, a Bienal do México (1958), a Exposição Internacional de Gravura de 1971 na Iugoslávia, a 10ª Quadriennale Nazionale d’Arte di Roma (1977), Modernidade - Arte Brasileira do Séc. XX (1988, MAM de Paris e depois MAM-SP)

No Brasil, participou ainda das exposições Entre a Mancha e a Figura no MAM-RJ (1982), Expressionismo no Brasil: Heranças e Afinidades (18ª Bienal de São Paulo, 1984), , Mário Pedrosa: Arte, Revolução e Reflexão (1991, Centro Cultural Banco do Brasil, RJ), Bienal Brasil Século XX (1994, São Paulo) e Grito (1997, Museu Nacional de Belas Artes).
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A fase
figurativa

Estilisticamente Iberê Camargo foi de início figurativista, trabalhando a paisagem, a figura humana e a natureza-morta em obediência a uma concepção naturalista-expressionista que tinha na cor sua principal característica. Por sua obra perpassaram então diversas influências, de Portinari aos mexicanos e de Guignard a Picasso.

Típica dessa sua fase inicial é a Vista da Lapa, do Museu Nacional de Belas Artes, com que ganhou o prêmio de viagem ao estrangeiro do Salão de 1947: lírica, mas ao mesmo tempo vigorosa, executada em pinceladas encrespadas e num vívido colorido.

Despojando-se gradativamente pelos próximos anos, Iberê permaneceu fiel à representação das formas e cores naturais até 1959, época em que deu início a série dos Carretéis, na qual ainda permanecem as referências ao mundo objetivo, só que diluídas em denso colorido e truculenta matéria.
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Abraçando o não-figurativismo

Em princípios da década de 1960 o pintor abraçou conscientemente o não-figurativismo, do qual seria um dos principais senão o principal representante no Brasil, e do qual não se afastaria mesmo depois que a tendência deixou de seduzir nossos artistas.

Em anos posteriores deu-se em sua pintura como que uma explosão da cor a partir dos fundos negros em que geralmente se resolvia, embora a opulenta textura permanecesse como característica principal de seus quadros. Como ele próprio explicou, em entrevista a Walmir Ayala, "por uma necessidade quase táctil minha pintura é pastosa. Não se creia, entretanto, que emprego relevos ou texturas preestabelecidas, como fazem alguns pintores. A espessura resulta da superposição de camadas que coloco no afã de encontrar a cor ou o tom exato".
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O gosto amargo da tragédia

Na década de 1980, após o dramático episódio em que o artista se envolveu num lamentável incidente de rua no Rio de Janeiro, sua arte instintivamente retomou o figurativismo, assim permanecendo até seus últimos anos.

As figuras humanas que a partir de então pinta ou desenha saem-lhe esquálidas, trágicas como a humanidade espectral de Giacometti, banhadas numa atmosfera de infinita solidão e desesperança.

Nesses momentos finais o homem corroído pelo sofrimento se purifica, enquanto o artista atinge a plenitude de sua arte para se tornar uma das expressões mais altas da moderna pintura brasileira.

Fonte: CD-Rom 500 Anos da Pintura Brasileira
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