
Sadi Lando, natural de Erexim (RS) onde nasceu em 20 de maio de 1954.
Tomou as primeiras aulas de pintura em Ereximno atelier de Olga Caliari, já com 23 anos de idade.
Em 1987, mudou-se para São Paulo e participa ativamente nos eventos de arte da capital paulista além de expor regularmente em várias galerias de arte de São Paulo.
A Cor-Luz na pintura de Lando
A cor afeta tantos os olhos quanto o coração, ou seja, tanto física quanto metaforicamente, de maneira muito mais direta do que qualquer outro elemento na pintura. Em sua forma física elementar, a cor é uma sensação produzida nos bastonetes e cones da retina pelas ondas de luz de comprimentos distintos. Em seu aspecto poético e místico, a cor pode variar entre uma sensação de palpitante calor, a nos envolver pela emoção, e uma fria e calma, mas revigorante sensação de luz e espaço-tempo. Devido a essas sensações, é quase impossível definir cor. Já foi sistematizada pelos teóricos no fim do século XVII e início do século XIX, entre os quais: Newton, Chevreul, Munsell, Ostwald e Goethe. Apesar disso, o seu correto uso teórico não assegura ao pintor a produção de uma bela pintura.
Todas essas reflexões vieram-me à mente no instante em que olhei as pinuras de Lando, pela primeira vez, há dois anos. Seu método de pintura é uma verdadeira alquimia. Os fundos são matéricos, pois misturados à cera de abelha, ele faz uma pasta assemelhada ao método da encáustica, usada pelos gregos nos frontispícios de seus templos. Depois de o fundo estar pronto, Lando incia seu processo de luz e sombra. Ou seja, da sombra faz nascer a luz. Daí chegamos à cor que é emanada da luz. A cor verdadeira ou a pigmentação de diversas substâncias varia de ondas imperceptíveis de luz infravermelha e ultravioleta à cor aplicada da superfície da tela. As origens da pigmentação são quase infinitas. Em Lando, a cor pode ser refletida através da colagem de tecidos coloridos e outros objetos que o artista adiciona com maestria e imperceptivelmente. Há uma preocupação pelas relações luz-cor, a partir de materiais insólitos, que deixam suas marcas na tela, como em alguns casos de quadros desta mostra de Lando. Poderíamos dizer que se tratam de assemblages virtuais, uma vez que, após suas retiradas, ficam só as marcas de suas formas de maneira indelével.
Os vemelhos, azuis e amarelos de Lando lutam entre si pela posse da luz. Os fruidores terão sentimentos físicos e emocionais diferentes diante dessas telas de forma diversa e diferenciada. Cores quentes, altamente saturadas, como os amarelos e vermelhos, produzirão excitação; enquanto as cores frias, como os azuis, tendem a acalmar-nos. A arte abstrata de Lando, trata somente das relações entre cores e luminosidades. Nada quer representar; nem a natureza, nem o ser humano, mas sim, como queria Kadinsky, reproduzir os sentimentos da alma, o íntimo de nós; não o universo físico, mas o metafísico. Devemos ver em sua obra as relações de luz e cor, jamais tentar descobrir relações com o mundo exteior, mas sim deixar fruir a poesia de cores e formas existentes em nosso íntimo
Alberto Beuttenmüller
Associação Internacional dos Críticos de Arte