
Marx, Burle (1909 - 1994)
Nascimento/Morte
1909 - São Paulo SP - 4 de agosto
1994 - Rio de Janeiro RJ - 4 de junho
Formação
1928/1929 - Alemanha - Freqüenta o ateliê de pintura de Degner Klemn
1930/1934 - Rio de Janeiro RJ - Curso de pintura e arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes - Enba; é aluno de Leo Putz (1869 - 1940), Augusto Bracet (1881 - 1960) e Celso Antônio (1896 - 1984)
1935/1937 - Rio de Janeiro RJ - Freqüenta as aulas do pintor Candido Portinari (1903 - 1962) no Instituto de Arte da Universidade do Distrito Federal - UDF
Cronologia
Paisagista, arquiteto, desenhista, pintor, gravador, litógrafo, escultor, tapeceiro, ceramista, designer de jóias, decorador
1913/1934 - Rio de Janeiro RJ - Vive nessa cidade
1932 - Rio de Janeiro RJ - Paisagista do jardim da residência da família Schwartz em Copacabana, projetada pelos arquitetos Gregori Warchavchik (1896 - 1972) e Lucio Costa (1902 - 1998)
1934/1937 - Recife PE - Vive nessa cidade
1934 - Recife PE - É nomeado diretor de Parques e Jardins do Recife; projeta uma série de praças e jardins públicos, além de criar, em 1937, o primeiro Parque Ecológico do Recife
1937 - Rio de Janeiro RJ - Trabalha como assistente de Portinari na execução dos murais do Ministério da Educação e Saúde, da série O Homem e o Trabalho
1937/1994 - Rio de Janeiro RJ - Vive nessa cidade
1949 - Campo Grande RJ - Adquire sítio onde organiza uma grande coleção de plantas
1954 - São Paulo SP - Realiza o projeto paisagístico para o Parque Ibirapuera
1955 - Rio de Janeiro RJ - Realiza o projeto paisagístico para o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ
1961 - Brasília DF - Realiza o projeto paisagístico para o eixo monumental de Brasília
1968 - Washington (Estados Unidos) - Realiza o projeto paisagístico para a Embaixada do Brasil
1971 - Brasília DF - Recebe a Comenda da Ordem do Rio Branco do Itamaraty
1982 - Haia (Holanda) - Doutor honoris causa da Academia Real de Belas Artes de Haia
1982 - Londres (Inglaterra) - Doutor honoris causa do Royal College of Art
Atualizado em 10/11/2005
Fonte: Itaú Cultural
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A influência da Alemanha
Nascido em São Paulo (SP) e falecido no Rio de Janeiro. Radicando-se com a família no Rio de Janeiro, aos quatro anos de idade, seguiu para a Alemanha em 1928, demorando-se cerca de dois anos.
Foi nas estufas do Jardim Botânico de Dahlem, Berlim, que paradoxalmente teve a revelação da opulenta flora tropical brasileira. Retornando em 1929 ao Rio de Janeiro, matriculou-se na Escola Nacional de Belas-Artes, que freqüentou por pouco tempo. Conta ele:
«Quanto a Leo Putz, quando foi contratado por Lúcio Costa para ser professor da Escola de Belas Artes, muitas vezes servi de intérprete, porque não sabia falar o português. A primeira grande lição que tive com ele, foi quando fizemos uma viagem a Angra dos Reis. Leo Putz, que pintava de uma maneira expressionista alemã, da Escola de Munique, diante da minha surpresa ante uma interpretação do que ele via e do que ele pintava, me disse que a natureza era um pretexto para se fazer as divagações pictóricas da cor.
Repulsa ao academicismo
Se Leo Putz assim o entusiasmou, outra é contudo sua opinião sobre o tipo de ensinamento artístico que recebeu na Escola:
«As lições que tive na Escola de Belas Artes eram lições acadêmicas, com professores medíocres, a começar pelo Bracet. Quando cheguei da Europa - fui em 1928 e voltei em 1929 - nos últimos dias que passei em Berlim fui a uma galeria e vi pela primeira vez um Picasso. Levei um choque! Vi também Paul Klee, Matisse, Picasso da fase cor-de-rosa e outros. Aquilo foi como um soco que recebi, e não poderia deixar de guardar; eu queria me desfazer dessas impressões, mas era aquilo que me chamava a atenção.
«Quando me matriculei para as aulas de pintura na Escola de Belas Artes, Bracet depois me expulsou de aula, porque eu falava de Gauguin e ele dizia que eu estava pervertendo os alunos. Ele dava receita de como se deve pintar: pele branca, carmim, ocre, como se com isso se resolvesse o problema colorístico.»
Vocação manifesta para
o paisagismo
Quando, com a exoneração de Lúcio Costa da direção da Escola, Leo Putz e os demais professores de orientação moderna se retiraram do corpo docente, Burle-Marx abandonou o curso e se inscreveu na aula particular do escultor Celso Antônio, com quem aliás não experimentou progressos
Ao contrário, muito aprendeu com o botânico Melo Barreto, orientando-se desde então cada vez mais para o paisagismo. Em 1933 criou seu primeiro jardim, para uma casa projetada por Lúcio Costa; no ano seguinte seria nomeado diretor de Parques e Jardins de Recife, desenhando para a capital pernambucana uma série de praças e jardins públicos e nela criando, em 1937, o primeiro parque ecológico nacional.
Por volta de 1935, tornou-se aluno de Portinari na Universidade do Distrito Federal, sofrendo, como tantos jovens pintores da época, a influência do mestre, que a recente consagração nos Estados Unidos da América, transformara numa espécie de artista oficial do Brasil.
Jardins por toda parte
Alternando sempre, a partir de então, suas atividades entre a pintura e o paisagismo, participou, logo em seguida, da equipe incumbida da edificação do Ministério da Educação, para o qual desenhou os jardins. Faria nos próximos 50 anos numerosíssimos projetos paisagísticos
para a Pampulha em Belo Horizonte (1940)
Largo do Machado no Rio de Janeiro (1945)
Parque Ibirapuera em São Paulo (1954)
Museu de Arte Moderna e a Praia de Botafogo no Rio de Janeiro (1955)
Eixo monumental de Brasília (1958)
Aterro do Flamengo no Rio de Janeiro (1959)
Centro Cívico de Curitiba (1966) etc., além de numerosos projetos para o Exterior.
Pintor nas horas vagas
Por outro lado, nunca deixou de encarar a pintura como atividade paralela mas não necessariamente subjugada pela de paisagista, em que mais se consagrou, inclusive internacionalmente.
Como pintor, como desenhista, como litógrafo e como designer têxtil ou de jóias, com efeito, tem mostrado seus trabalhos em numerosíssimas ocasiões, desde 1941, quando exibiu pinturas no Palace Hotel do Rio de Janeiro.
«Citem-se, entre as principais exposições de suas obras: a de 1954, Arquitetura Paisagística no Brasil: Roberto Burle-Marx, organizada em várias cidades norte-americanas pela União Pan-americana; a de 1956, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; a de 1963, no Commercial Museum de Filadélfia, Estados Unidos da América; a sala especial na XXXV Bienal de Veneza, em 1970; a retrospectiva 43 Anos de Pintura, em 1972, no Museu de Arte de Belo Horizonte; as grandes mostras de 1973 na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, e no Museu Galliera, em Paris; as exposições de 1974 no Museu de Arte Moderna de São Paulo, no Museu de Arte Contemporânea de Curitiba e no Teatro Castro Alves de Salvador; a do Museu de Caracas, em 1977, a do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, em 1978, a do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, em 1979, e a do MAC-USP, em 1997, entre tantas outras.
A vivência da natureza tropical
Originalmente calcada em raízes e treinamento europeus, a pintura de Burle-Marx viu-se enriquecida logo em seguida por fortes ingredientes telúricos, em razão do profundo interesse que o artista demonstrou desde a mocidade pela riquíssima flora brasileira, que converteu em leit-motiv de toda a sua produção.
A natureza tropical, com efeito, é quem dá seiva e alento à arte de Burle-Marx, servindo-lhe, mais que de tema, de inspiração e pretexto para profundas pesquisas formais e de expressão.
Mário Barata bem compreendeu essa síntese admirável, ao escrever recentemente:
«Na arte de Roberto dos anos recentes a forma europeizada e a vivência tropical estão conjugadas em uma adequação de boa forma e integração perfeita de técnica e visão. O artista reelaborou o vegetal no plano do pictórico e do desenho, com qualidade, em nível em que o pessoal se funde ao conhecimento. (...)
«Sua arte atual - na pintura, desenho e litografia - tem, pois, a contribuição da sua particular experiência, de sua percuciente visão caldeada pelos núcleos e formas de articulação vegetal, permanentemente observados por ele. Sentiu-os de perto, quase milimetricamente, através do que eu chamo a penetração burleana da natureza: o esplendor do interior da matéria (apud Joaquim Cardoso) e do entrelaçado das estruturas exteriorizadas do vegetal.
Fonte: CD Rom «500 anos de Pintura Brasileira»
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