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| Título: |
Lavadeiras na Lagoa do Abaeté |
| Artista: |
Pancetti, José |
| Técnica: |
Pintura óleo s/ tela |
| Medida: |
46x60 cm |
| Ano: |
1956 |
| Comentários: |
ESTA OBRA FOI VENDIDA EM UM LEILÃO EM AGOSTO DE 1997 PELO VALOR DE R$ 263.500,00 - DOLLAR DA ÉPOCA (U$ 238,640) (fonte site Pitoresco).OBS.: ESTA OBRA NÃO ESTÁ A VENDA |
| Preço: |
Sob Consulta |
| Código: |
4090/1 |
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(1902, Campinas, SP - 1958, Rio de Janeiro, RJ)
Ainda menino, seguiu com a família para a Itália, fixando residência em Bolonha. Ingressou na marinha mercante italiana, retornando a São Paulo em 1920. Em 1922 viajou para o Rio de Janeiro, onde se alistou na marinha. Participou do Núcleo Bernardelli, quando decidiu-se definitivamente pela pintura. Em 1941 ganhou o prêmio de viagem à Europa na Divisão Moderna do Salão Nacional de Belas Artes, e em 1948, medalha de ouro no mesmo salão. Em 1950, participou da Bienal de Veneza e em 1951 da I Bienal de São Paulo. Escrevendo a seu respeito, Roberto Pontual fala de "uma obra que se dispôs a ser simultaneamente intuitiva e refinada, para a qual a vivência do mar - olhos entregues à distância de horizontes intermináveis ou ao mergulho na solidão interior - terá contribuído de modo muito direto no sentido de sua preferência pela paisagem marítima e pelo auto-retrato. Em qualquer um dos casos, a disposição de ir aos poucos simplificando e resumindo os detalhes da realidade a registrar na superfície da pintura, bem como a capacidade de conferir à cor, em amplas chapadas ou marcas quase instantâneas, poderosa função sugestiva, determinaram sempre a evolução de Pancetti". No livro O Brasil por seus artistas, em 1979, escreveu Walmir Ayala: "Coerente com seu destino e vivência, é com as marinhas que sua fama se consolida em termos de pintura. O litoral brasileiro é retratado em muitas de suas telas mais importantes, ressaltando um sentimento de amplidão, despojamento e cálido azul/verde de suas águas. (...) Luminosidade embebida de vida, de um sentimento de solidão e desprendimento, trechos de um paraíso extraviado em múltiplas áreas terrestres, que ele tenta juntar com um sentimento de humanismo e alegria solar." Sob curadoria de Denise Mattar, inaugurou-se em 2000 a mostra Pancetti: O Marinheiro Só, inicialmente no Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador, posteriormente (2001) no Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, no Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado, São Paulo, e no Palácio Doria Pamphili, Embaixada do Brasil em Roma, Itália.
Referências: Pancetti (MEC, 1960), de Medeiros Lima; Exposição de arte: temas gerais e artes plásticas no Brasil (Tempo Brasileiro, 1965), de José Paulo Moreira da Fonseca; Colóquio unilateralmente sentimental (Record, 1968), de Manuel Bandeira; Pancetti: o pintor marinheiro (Conquista, 1979), de José Roberto Teixeira Leite; O Brasil por seus artistas (MEC, 1979) e Arte brasileira (Colorama, 1985), de Walmir Ayala; História geral da arte no Brasil (Instituto Walther Moreira Salles/Fundação Djalma Guimarães, 1983), coordenação de Walter Zanini; Seis décadas de arte moderna na coleção Roberto Marinho (Pinakotheke, 1985), texto sobre Pancetti de autoria de José Roberto Teixeira Leite; 100 obras Itaú (MASP, 1985); Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand (JB, 1987), de Roberto Pontual; 150 anos de pintura no Brasil: 1820/1970 (Ilustrado pela coleção Sergio Fadel, Colorama, 1989), de Donato Mello Júnior, Ferreira Gullar e outros; Núcleo Bernardelli: arte brasileira nos anos 30 e 40 (Pinakotheke, 1982), Dacoleção: os caminhos da arte brasileira (Júlio Bogoricin Imóveis, 1986) e Cronologia das artes plásticas no Rio de Janeiro: 1816-1994 (Topbooks, 1995), de Frederico Morais; Museus Castro Maya (Agir/Banco Boavista, 1994); Biblioteca Nacional: a história de uma coleção (Salamandra, 1997), de Paulo Herkenhoff; Pintura brasileira do século XX: trajetórias relevantes (4 Estações, 1998), de Olívio Tavares de Araújo; Pintura latinoamericana (Fundação Finambrás, 1999), textos de Aracy Amaral, Roberto Amigo e outros; Pancetti: o marinheiro só (Petrobrás, 2000), textos de Denise Mattar, Ligia Canongia e Wilson Rocha; Coleção Aldo Franco (Pinakotheke, 2000), de Jacob Klintowitz; Arte brasileira na Coleção Fadel: da inquietação do moderno à autonomia da linguagem (A. Jakobsson, 2002), de Paulo Herkenhoff; O olhar amoroso (Momesso, 2002), de Olívio Tavares de Araújo.
Parar por quê ?
Inconformismo, foi a marca registrada de José Pancetti, nascido em Campinas, Estado de São Paulo, em 18 de junho de 1902, e falecido no Hospital Central da Marinha no Rio de Janeiro, em 10 de fevereiro de 1958. Nesses quase 56 anos, por força das circunstâncias e do próprio temperamento, não teve parada.
Mudou-se, constantemente de um lugar a outro, experimentou diversos empregos, sem fixar-se em qualquer deles, a não ser na Marinha de Guerra, onde participou como simples profissional, na repressão às revoluções de 1922 (Revolta do Forte de Copacabana), 1924 (Revolução Paulista), 1930 (fim da Primeira República), 1932 (Revolução Constitucionalista) e 1935 (Intentona Comunista).
Perdidas ilusões
Ao temperamento irriquieto e inconstante, desde a infância, juntaram-se as dificuldades de seus pais, Giovani e Corina, em prover o sustento do lar. Giovani, mestre-de-obras e pedreiro, veio da Itália com esperanças de "fazer a América" com seus conhecimentos e sua experiência, mas logo se decepcionou. Eram levas de imigrantes que aqui aportavam, com iguais qualificativos, cuja pressão por trabalho derrubava o valor da mão-de-obra e causava um desemprego contínuo.
Pancetti tinha dez anos, quando a família mudou-se de Campinas para São Paulo. Um ano depois, em busca de um futuro melhor para o filho, seus pais o enviaram à Itália, onde passou a viver, primeiro na companhia de tios, depois, na companhia dos avós. Foi aprendiz de carpinteiro, trabalhou como simples operário, passou de fábrica em fábrica, até que engajou-se à marinha mercante italiana e, aos 17 anos, sem conseguir fixar um rumo, voltou ao Brasil.
No Brasil, nova odisséia: em Santos, trabalhou como operário em uma fábrica de tecidos, foi arrumador de hotel, auxiliar de ourives, garçom, e até trabalhador braçal na construção de esgotos em vias públicas. Em 1921, veio a São Paulo, onde um profissional italiano lhe deu trabalho como pintor de paredes e de cartazes.
Três amores
e uma cruz
Por fim, ainda nesse ano, conheceu o pintor Adolfo Fonzari (1880-1959), que lhe ofereceu um emprego, como auxiliar, nos trabalhos de decoração que vinham sendo realizados na casa do comendador Pugliese, no Guarujá.
Foi o encontro com seu primeiro amor eterno, a pintura. O outro viria no ano seguinte: em 1922, alistou-se na Marinha de Guerra do Brasil, onde ficou até 1946, quando foi reformado como 2º tenente, por motivos de saúde. O terceiro e, também, perene amor, foi o de Anita Caruso, que desposou em 27 de abril de 1935, e com quem teve dois filhos.
A grande cruz que carregou foi a tuberculose, que contraiu ainda jovem, vítima das precárias condições de vida que sempre teve, a qual acompanhou-o até o fim da existência, obrigando-o a mudanças periódicas de clima.
Sua pintura pode ser classificada em três fases bem delineadas: de 1925 a 1941, o aprendizado; de 1941 a 1950, o apogeu; daí em diante, um declínio continuado, conseqüência, principalmente, dos males que o afligiam.
A caravana
passa
Era um pintor autodidata e, por isso, foi recebido com reservas, quando não com hostilidade, pelos seus colegas. Em artigo publicado em 19 de outubro de 1941 na «Gazeta Magazine», um certo Villeroy-França assim se refere, mencionando Pancetti: «é um pintor sem símbolos e sem fatalidades, vítima do complexo terrível da praça-de-pré profissional, que não pôde atingir o oficialato.»
Ninguém consegue deter a rotação da terra. Um dia se segue ao outro. O ano de 1941, justamente aquele em que o artigo deste quase desconhecido crítico era publicado, marcou a ascenção meteórica de Pancetti, que ganhou prestígio e respeitabilidade no mercado. Da mesma maneira, os anos que se seguiram foram de glória e de reconhecimento do seu trabalho de artista.
Lembrando um velho ditado árabe, «os cães ladram, enquanto a caravana passa». Imperturbável, alheio às críticas, e seguro de sua capacidade artística, Pancetti continuou pintando até 1958, quando perdeu sua primeira e definitiva batalha para a doença que, qual sombra sinistra, o acompanhou por toda parte, durante toda sua vida.
Texto de Paulo Victorino
Fonte SIte Pitoresco