Flávio Resende de Carvalho nasceu no dia 10 de agosto de 1899 na cidade de Amparo da Barra Mansa, Rio de Janeiro, filho de Raul e Ofélia de Carvalho. Mudou-se para São Paulo com a família em 1900, começou seus estudos na Escola americana, na rua Itambé em 1908 e logo em 1911 vai para Paris como aluno interno do Lycée Janson de Sailly.
Em 1914 vai para Inglaterra, mas com o começo da 1ª Grande Guerra, ficou proibido de sair do país, pois não tinha passaporte. Freqüenta aulas de pintura da King Edward the Seventh School of Fine Arts, em Newcastle, Inglaterra, em 1918, e o curso de engenharia civil na Universidade de Durham, na qual se forma em 1922. A partir de 1924 trabalhou três anos no escritório que construiria o Banco de Comercio e Industria, o Mercado Municipal, o Palácio da Justiça, entre outros.E em 1926 abre seu próprio escritório, junto ao instituto de engenharia. Em 1931, realiza o polêmico evento Experiência Nº 2, em São Paulo, em que ele caminha, com boné na cabeça, em sentido contrário ao de uma procissão católica para estudar a reação popular, e publica livro com o mesmo nome; participa do XXXVII Salão Nacional de Belas Artes, o chamado Salão Modernista. Em 1932, participa do Movimento Constitucionalista como capitão engenheiro. Entre 1932 e 1934, abre um ateliê, onde funda o Clube dos Artistas Modernos, CAM, com Antonio Gomide (1895-1967), Di Cavalcanti (1897-1976) e Carlos Prado (1908-1992).
No ano de 1934 participa do I Salão Paulista de Belas Artes, com5 telas, três aquarelas, cinco desenhos e uma obra de arte aplicada, no mesmo ano fez sua 1ª exposição individual, a mostra foi fechada pela polícia e reaberta por ordem judicial, 15 dias depois.
No ano de 1937 participa do I Salão de Maio com três óleos, duas aquarelas e dois desenhos, nos próximos dois anos também participou do Salão de Maio.
A partir de 1939 participou Do 5º, 6º e 7º Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos, na Galeria Prestes Maia.Em 1947, realiza os desenhos da série Minha Mãe Morrendo, na qual registra a agonia da própria mãe. Na década de 50, realiza a Expedição Civelli, na Ilha do Bananal, em Goiás; os cenários e figurinos para o bailado A Cangaceira, do Ballet do 4º Centenário e o cenário para o Bailado com Música, de Prokofiev. A partir de 1955 passa a escrever a coluna Casa, Homem e Paisagem no Diário de São Paulo. Em 1956, realiza em São Paulo o evento Experiência Nº 3, que consiste numa passeata no Viaduto do Chá, em que o artista veste saiote e blusa de mangas curtas e folgadas, conjunto denominado Traje Tropical. Em 1968, realiza o Monumento a García Lorca, destruído por um grupo armado em 1969. O monumento foi reerguido e encontra-se na Praça das Guianas, em São Paulo.
No ano de 1971 recebe sala especial na XI Bienal e participa do Panorama da Arte Brasileira, no MAM.No ano seguinte participa da II Mostra Internacional de Gravura, no MAM-São Paulo.
O artista Flávio de Carvalho veio a falecer em 4 de junho de 1973 e O Bailado do Deus Morto, programado para o dia 23 de junho, não chega a estrear.
CRONOLOGIA
1899 – Nasce em 10 de agosto em amparo da Barra Mansa, RJ.
1911 – Ingressa como interno no Lycée Jason de Sailly, em Paris.
1916 – Estudos no Stonyhurst College.
1922 – Graduação em engenharia pela Universidade de Durham.
1931 - São Paulo SP - Realiza a Experiência Nº 2 - caminha, com boné na cabeça, em sentido contrário ao de uma procissão católica para estudar a reação da população (quase é linchado). Publica livro de mesmo título.
1932/1934 - São Paulo SP - Abre ateliê, onde funda o CAM, com Antonio Gomide, Di Cavalcanti e Carlos Prado. Promove espetáculos, exposições e conferências.
1931 - Rio de Janeiro RJ - Salão Revolucionário, na Enba.
1933 - São Paulo SP - Inaugura o Teatro da Experiência com o Bailado do Deus Morto - fechado pela polícia
1934 - São Paulo SP - Participa do concurso para o Monumento ao Soldado Constitucionalista
1934 - São Paulo SP - 1º Salão Paulista de Belas Artes
1937 - Paris (França) - Publica L Aspect Psychologique et Morbide de lArt Moderne
1937 - São Paulo SP - 1º Salão de Maio, no Esplanada Hotel de São Paulo
1938 - São Paulo SP - 2º Salão de Maio, no Esplanada Hotel de São Paulo
1939 - São Paulo SP - Toma banho nu na Fonte das Lagostas, na Praça Júlio Mesquita, em companhia de Quirino da Silva
1939 - São Paulo SP - 3º Salão de Maio, no Esplanada Hotel de São Paulo
1939 - São Paulo SP - 5º Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos, na Galeria Prestes Maia
1940 - São Paulo SP - 6º Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos, na Galeria Prestes Maia
1942 - São Paulo SP - 7º Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos, na Galeria Prestes Maia
1944 - Londres (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Royal Academy of Arts
1944 - Norwich (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Norwich Castle and Museum
1945 - Edimburgo (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na National Gallery
1945 - Glasgow (Escócia) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Kelingrove Art Gallery
1945 - Baht (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Victory Art Gallery
1945 - Bristol (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Bristol City Museum & Art Gallery
1945 - Manchester (Inglaterra) - Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Manchester Art Gallery
1946 - São Paulo SP - 10º Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos, na Galeria Prestes Maia
1947 - São Paulo SP - 11º Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos, na Galeria Prestes Maia
1947 - São Paulo SP - Faz a série Minha Mãe Morrendo, desenhos de sua mãe em agonia
1956 - São Paulo SP - Realiza a Experiência Nº 3 - passeata no Viaduto do Chá, com o Traje Tropical, saiote e blusa de manga curta e folgada, idealizado por ele
1968 - São Paulo SP - Realiza o Monumento a García Lorca, destruído por um grupo armado em 1969. O monumento foi reerguido e está na Praça das Guianas, em São Paulo
1957 - São Paulo SP - 12 Artistas de São Paulo, na Galeria de Arte da Folha
1959 - Munique, Leverkusen (Alemanha), Viena (Áustria) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - Utrecht (Holanda), Madri (Espanha), Lisboa (Portugal), Paris (França) e Hamburgo (Alemanha) - Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa
1960 - São Paulo SP - Coleção Leirner, na Galeria de Arte da Folha
1963 - São Paulo SP - 7ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal - sala especial e premiação
1963 - Campinas SP - Pintura e Escultura Contemporâneas, no Museu Carlos Gomes
1964 - Rio de Janeiro RJ - O Nu na Arte Contemporânea, na Galeria Ibeu Copacabana
1965 - São Paulo SP - 14º Salão Paulista de Arte Moderna - medalha de ouro
1965 - São Paulo SP - 8ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1967 - São Paulo SP - 9ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal - grande prêmio de desenho
1969 - São Paulo SP - 1º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1970 - São Paulo SP - 2º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1970 - São Paulo SP - Pinacoteca do Estado de São Paulo 1970
1971 - São Paulo SP - 11ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal - sala especial
1971 - São Paulo SP - 3º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1972 - Rio de Janeiro RJ - 50 Anos de Arquitetura Moderna, no MAM/RJ
1972 - São Paulo SP - A Semana de 22: antecedentes e conseqüências, no Masp
1972 - São Paulo SP - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria da Collectio
1972 - São Paulo SP - 2ª Exposição Internacional de Gravura, no MAM/SP
1973 – falece em 4 de junho em Valinhos, SP.
Tendo estudado na Inglaterra, e pertencente à segunda geração de modernistas de São Paulo, Flávio Resende de Carvalho desenvolveu suas múltiplas atividades, como arquiteto, fundador do Teatro Experiência, em 1933, organizador do 3º Salão de Maio, em 1939, fundador e animador do Clube dos Artistas Modernos, que reunia artistas para conferências, debates e exposições.
Foi o autor do primeiro projeto de arquitetura moderna no Brasil, em 1927, quando concebeu o Palácio do Governo de São Paulo, projeto esse não aceito.
Foi também fazendeiro, agricultor e, depois de ter exercido profissionalmente a carreira de engenheiro, foi também escultor e cenógrafo.
Tendo uma personalidade singular e isolada por seu próprio temperamento, Flávio de Carvalho contribuiu, não apenas como poderoso animador do meio artístico paulista dos anos 30,como por suas audaciosas experiências.
Fonte: Museus Brasileiros, vol. 6, Edição Funarte, Rio, 1982.
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