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ESTAMOS CAPTANDO OBRAS DO ARTISTA |
| Artista: |
Rebolo, Francisco |
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Instalação |
| Medida: |
0x0 cm |
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Sob Consulta |
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6417/1 |
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Rebolo, Francisco (1902 - 1980)
Nascimento/Morte
1902 - São Paulo SP - 22 de agosto
1980 - São Paulo SP - 10 de julho
Formação
1915/1917 - São Paulo SP - Estuda pintura de ornato na Escola Profissional Masculina do Brás
1926 - São Paulo SP - Estuda desenho decorativo
1956 - Vaticano (Itália) - Faz curso de restauração no Vaticano, participando da restauração de uma obra de Raphael (1483 - 1520)
Cronologia
Pintor, gravador
1915 - São Paulo SP - Trabalha como aprendiz de decorador em muitas residências, onde realiza frisos decorativos, e pinta detalhes das Igrejas de Santa Ifigênia e Santa Cecília
1917 - São Paulo SP - Inicia carreira de jogador de futebol semiprofissional, na Associação Atlética São Bento
1922 - São Paulo SP - Integra a equipe do Sport Club Corinthians Paulista, que conquista o título de Campeão do Centenário
1926/1970 - São Paulo SP - Trabalha como pintor de residências, para clientes particulares, arquitetos e firmas de construção
1927/1934 - São Paulo SP - É contratado pelo Esporte Clube Atlético Ypiranga
1935 - São Paulo SP - Participa da organização do Grupo Santa Helena ao lado de Mario Zanini (1907 - 1971), Fulvio Pennacchi (1905-1992), Bonadei (1906-1974), Humberto Rosa (1908-1948), Clóvis Graciano (1907-1988), Alfredo Volpi (1896-1988) e outros
1936 - São Paulo SP - Participa da formação do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo
1937 - São Paulo SP - Integra a Família Artística Paulista - FAP
1940 - São Paulo SP - Participa da criação da Divisão Moderna do Salão Nacional de Belas Artes
1941 - São Paulo SP - Premiado no concurso de desenho e guache promovido pelo Departamento de Informações e do Patrimônio Histórico, visando à divulgação de monumentos históricos
1944 - Minas Gerais - Viaja a convite do prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek (1902 - 1976), em companhia de outros intelectuais e artistas modernos
1945 - São Paulo SP - Trabalha para a criação do Clube dos Artistas e Amigos da Arte (Clubinho), do qual se torna diretor
1948/1952 - São Vicente SP - Visita a cidade com freqüência e produz numerosas marinhas
1948 - São Paulo SP - Dirige o jornal Artes Plásticas, com Ciro Mendes, Flávio Motta (1916), Cláudio Abramo e Clóvis Graciano
1948 - São Paulo SP - Participa do movimento para criação do Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP
1954 - São Paulo SP - Participa do júri do 3º Salão Paulista de Arte Moderna
1955/1957 - Espanha, Alemanha, Bélgica, Holanda, França e Itália - Embarca com a família com o prêmio de viagem ao exterior obtido no 3º Salão Nacional de Arte Moderna e visita vários museus
1959/1962 - São Paulo SP - Incentivado por Marcelo Grassmann (1925), inicia uma série de experiências como gravador
1963 - São Paulo SP - Dedica-se mais ao desenho e à gravura, afastando-se temporariamente das tintas devido a recomendação médica
1966 - Barra do Sahy SP - Faz visitas freqüentes ao litoral com considerável produção de óleos
1971/1979 - Sul e Nordeste do Brasil - Faz viagens freqüentes com considerável produção de óleos
1972 - Brasília DF - Executa painel para o Senado Federal
1973 - São Paulo SP - É escolhido para executar os óleos que ilustrarão as grandes extrações da Loteria Federal
1973 - São Paulo SP - Prêmio de pintura da Associação Paulista de Críticos de Artes - APCA, homenagens comemorativas dos 70 anos do pintor
1977 - São Paulo SP - É homenageado no Clube dos Artistas pelos 75 anos de idade
1978 - São Paulo SP - Colabora com os movimentos políticos de oposição ao Governo Militar
1978 - São Paulo SP - É realizado o documentário sobre sua vida e obra O Anel Lírico, com direção e produção de Olívio Tavares de Araújo, apresentado no MIS/SP
1980 - São Paulo SP - É homenageado no Salão Paulista de Arte Moderna
1980 - São Paulo SP - É homenageado no Salão Paulista de Belas Artes
1981 - É homenageado com a Parede do Mês, no Spazio Pirandello
1989 - São Paulo SP - É realizado o vídeo Das Paredes às Telas, Dos Porões às Praias, de Reginaldo A. Figueiredo, produzido pela TV Cultura/Fundação Padre Anchieta
Atualizado em 09/11/2005
Fonte: Itaú Cultural
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Francisco Rebolo Gonzales
1902-1980
O menino e a carroça
O menino caminhava pelas ruas esburacadas do velho bairro do Morumbi, onde morava, numa chácara, em companhia de seus pais, imigrantes espanhóis que vieram ao Brasil em busca de um futuro melhor, mas viviam aqui a mesma miséria que deixaram do outro lado do Atlântico.
A preocupação tomava conta de sua mente, mas não a ponto de desorientá-lo. Na noite anterior, surpreendera os pais numa conversa sombria em que tentavam buscar uma solução para a crise financeira que, a esta altura, chegara a um ponto em que não havia dinheiro nem mais para atender as necessidades básicas da família.
Sentindo-se já um adulto, do alto de seus doze anos, o guri saiu de casa, sem avisar os pais e foi a busca de trabalho, qualquer coisa que os ajudasse a sair dessa situação aflitiva.
Nisto, passou por ele uma carroça, levando uma carga de tijolos e seus olhos brilharam:
«Vou seguir esta carroça. Onde ela parar, com certeza haverá trabalho.»
Com efeito, pouco mais adiante, o veículo parou diante de uma construção quase terminada, já em fase de acabamento.
«Que é que você sabe fazer?» perguntou-lhe o empreiteiro.
«Tudo!», respondeu ele com resolução.
Dava para perceber, à primeira vista que, exceto a boa vontade, a resposta era um exagero sem limites, mas o homem notou nele uma disposição que o impressionou. Deu-lhe uma lata de tinta e um pincel, experimentando sua habilidade na pintura de portas e venezianas.
Foi a primeira obra de Francisco Rebolo Gonzales, que mais tarde viria a tornar-se um referencial importante da pintura brasileira, um dos criadores do Grupo Santa Helena e incentivador de vários outros nomes, como Alfredo Volpi e Mário Zanini.
O talento do «baixinho»
Francisco Rebolo Gonzales nasceu em São Paulo no ano de 1902 e faleceu na mesma cidade em 1980. Ainda criança, enquanto cursava o primário, saia à cata de alguns «bicos», obtendo trocados, o suficiente para ajudá-lo nas despesas com os estudos.
Tinha 15 anos quando, após as primeiras experiências com a pintura de paredes, conseguiu um emprego efetivo como aprendiz de uma oficina de decoração, desenvolvendo o talento na ornamentação de igrejas e também de casas, onde era comum a pintura rococó, cheia de floreados e exageros.
Não acreditava, porém, que essa fosse sua arte e, na primeira oportunidade que surgiu, abraçou a carreira de jogador de futebol, entrando para o time do Corinthians, onde chegou a ganhar o Campeonado do Centenário da Independência do Brasil, em 1922.
Com 1,62m de altura, Rebolo foi um dos «baixinhos» que fizeram ou fazem furor no futebol, surgindo sempre de surpresa e desnorteando seus adversários com a rapidez dos movimentos e com a facilidade em se desvencilhar da marcação.
Como o futebol de antigamente, no peito e na raça, não dava para as despesas, o tempo livre era aproveitado para prosseguir no trabalho de decoração, que nunca abandonou, e que lhe foi o esteio, quando, em 1934, desligou-se do esporte para dedicar-se à pintura, montando um escritório na rua de São Bento.
O Grupo Santa Helena
Bem mais tarde, Rebolo associou-se a Alfredo Volpi, como ele, pintor de paredes, e alugou uma sala no Palacete Santa Helena, ao lado da Catedral de São Paulo, esta ainda em construção, na Praça da Sé.
Chamá-lo de palacete era um exagero. O prédio, de poucos andares, construído antes que o cimento armado tivesse chegado ao Brasil, abrigava um luxuoso cine-teatro, com palco, frisas camarotes e uma fina decoração que incluía esculturas e até um afresco pintado na abóboda central.
Mas, de há muito que aquele pedaço da cidade se deteriorara. A arte paulistana mudou-se para a Cinelândia, na esquina da Avenida Ipiranga e Avenida São João, levando também para o outro lado do Vale do Anhangabaú os escritórios e as lojas mais chiques. O Cine Santa Helena passou a exibir filmes de segunda categoria e as salas do prédio, sem interessados, passaram a ser alugadas pelo preço de alguns tostões.
Para os artistas plásticos incipientes, juntou-se a fome à vontade de comer. As salas eram amplas, em lugar silencioso, e distantes apenas um quarteirão da Escola Paulista de Belas Artes, permitindo um contato com alunos mais adiantados, e até com professores.
Entre os mestres, estava Paulo Rossi Osir, com formação totalmente européia, o qual não só ajudou a desenvolver o Grupo Santa Helena, como também montou um ateliê de decoração, o Osirarte, onde dava trabalho aos artistas participantes desse núcleo.
O Grupo Santa Helena, de que Rebolo era a peça principal, teve grande importância no desenvolvimento das artes, inclusive com a organização da Família Artística Paulista, que realizou uma série de coletivas, fazendo oposição aberta aos Salões de Maio, estes realizados por artistas melhor situados na vida, os quais se recusavam a abrir espaço para os artistas «operários».
Um reconhecimento
que demora a chegar
Em 1944, Rebolo arrisca-se a fazer sua primeira individual na Livraria Brasiliense, mas, a despeito do sucesso, nesta e em outras exposições, somente dez anos após, em 1954, é que pode ser efetivamente notado, quando ganhou um prêmio de viagem à Europa, no 3º Salão Nacional de Arte Moderna.
Foi a grande oportunidade, bem aproveitada, para aperfeiçoamento de sua arte, numa turnê, em companhia da família, percorrendo Itália, Espanha, Alemanha, França, Áustria e Holanda, além de participar de um curso de restauração no Museu do Vaticano.
Sem perder a simplicidade, o Rebolo que retorna ao Brasil é outro, bem mais amadurecido. Sua pintura continua de linhas planas, formas reduzidas ao mínimo exigido na arte figurativa, mas nota-se uma técnica bem mais desenvolvida e menos ingênua.
Daí em diante, registra-se uma sucessão de exposições, de entrevistas e de encomendas. É a consagração, com a qual jamais sonhara mas que, ainda que tardia, chegou à sua vida.
Morumbi, o seu
pedaço de terra
Ganhando não apenas status, como também uma condição financeira mais sólida, Rebolo pôde realizar um dos sonhos de sua vida. Construiu uma confortável casa no bairro do Morumbi, a cinqüenta metros da antiga chácara em que passou sua infância de privações.
Foi lá que veio a falecer, aos 79 anos de idade, no dia 10 de julho de 1980. A antiga vila de chacareiros já se tornara então um dos mais ricos e populosos bairros de São Paulo, o que não lhe tolheu os costumes do menino pobre, que ali nasceu e passou sua infância.
Sua filha, Lisbete Rute Rebolo Gonçalves, doutora em Museologia pela Universidade de São Paulo, tem se incumbido de preservar-lhe a memória. Foi diretora do Museu de Arte Contemporânea e Presidente da ABCA (Associação Brasileira de Críticos de Arte). Atualmente, encarrega-se de preparar as comemorações do Centenário de Rebolo, que devem realizar-se em 2002.
A garupa da Galatéia
Francisco Rebolo Gonzales, ex-jogador do Corinthians, meio espanhol, meio caboclo, em muito faz lembrar outro espanhol e corintiano, o folclórico ex-presidente do clube, Vicente Mateus. Como ele, passou a vida criando histórias em torno de si mesmo, algumas verdadeiras, descontado o exagero; outras criadas por ele próprio, lançando uma névoa folclórica em torno de sua biografia.
Certa vez (ele jurava ser verdade), Rebolo foi, com sua moto Galatéia, buscar a pintora Djanira, que se achava em algum ponto de São Paulo, para levá-la na garupa até a casa do Morumbi.
Já próximos da residência, desabou um enorme temporal e as ruas, de terra batida, tornaram-se quase intransitáveis. Em um determinado ponto, Rebolo pediu a Djanira que saltasse por alguns momentos e ele mesmo, atolado no barro, empurrou o veículo pelo meio de um charco.
Vencido o obstáculo, subiu de novo na moto e seguiu viagem até sua casa, onde a esposa o recebeu com o maior espanto: «Mas, e a Djanira, onde está?»
Djanira havia ficado para trás dentro do charco e teve de completar a viagem a pé, no meio da lama.
(Texto de Paulo Victorino)
Fonte Site Pitoresco