Nascimento/Morte
1911 - Lanús (Argentina) - 7 de fevereiro. Naturaliza-se brasileiro em 1957
1997 - Salvador BA - 2 de outubro
Argentina, Itália e Brasil
Carybé (1911-1997), nome artístico de Hector Julio Paride Bernabó, pintor figurativo brasileiro de origem argentina, cuja estilização gráfica aproximou-se da abstração.
Nasceu na cidade de Lanús e, após ter vivido na Itália dos 6 meses aos 8 anos de idade, radicou-se no Brasil, inicialmente no Rio de Janeiro, onde estudou na Escola Nacional de Belas Artes.
Baiano de puro sangue
Em 1938, foi para Salvador, fixando-se definitivamente na Bahia a partir de 1950. Sete anos mais tarde, naturalizou-se brasileiro.
Recebeu o apelido de Carybé (nome de um peixe de água doce pelo qual é internacionalmente conhecido) na época em que era escoteiro, porque esse era o nome de sua barraca de acampamento.
Suas obras, tanto pinturas como desenhos, esculturas e talhas, refletem a chamada baianidade, através da representação do cotidiano, do folclore e de suas cenas populares. Em 1955, foi escolhido como o melhor desenhista nacional na III Bienal de São Paulo.
Inspirado pela cultura afro-brasileira, no início da década de 1970 dedicou-se a fazer talhas que focalizavam seus rituais e orixás, em obras como Festa de Nanã, Alá de Oxalá, Ajerê e Pilão de Oxalá.
Em seus desenhos e aquarelas, predominam a cor sépia, como no álbum Sete portas da Bahia. Além desses trabalhos, destacou-se pela criação de murais, hoje expostos em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Montreal, Buenos Aires e Nova York.
Artista multifacetado
Também fez ilustrações de obras literárias, como Macunaíma, de Mário de Andrade, O sumiço da santa, de Jorge Amado.
Exibiu seus trabalhos em mostras coletivas e individuais desde 1940. Entre elas, destacam-se as realizadas no Museu Municipal de Buenos Aires e nas galerias Nordiska, Amalta e Viau, na Argentina; na Galeria Oxumaré, em Salvador; no Salão Nacional de Arte Moderna, no Rio; e na I Bienal Nacional de Artes Plásticas da Bahia.
Freqüentador assíduo dos terreiros de candomblé baianos, embora dissesse não acreditar na vida após a morte, faleceu, no dia 1º de outubro de 1997, no terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, depois de sofrer um enfarte.
Fonte: Encarta-BR 2000
Formação
ca.1925 - Rio de Janeiro RJ - Inicia atividades em artes freqüentando o ateliê de cerâmica do seu irmão mais velho, Arnaldo Bernabó
1927/1929 - Rio de Janeiro RJ - Freqüenta a Escola Nacional de Belas Artes - Enba
1958 - Nova York (Estados Unidos) - Bolsa de estudos
Cronologia
Pintor, gravador, desenhista, ilustrador, mosaicista, ceramista, entalhador, muralista
1911/1914 - Fivizzano e Gênova (Itália) - Fixa residência
1914/1919 - Roma (Itália) - Fixa residência
1919/1929 - Rio de Janeiro RJ - Fixa residência
1921 - Rio de Janeiro RJ - É batizado com o nome Carybé pelo grupo de escoteiros do Clube do Flamengo
1929/1949 - Buenos Aires (Argentina) - Fixa residência
1930 - Buenos Aires (Argentina) - Trabalha no jornal Notícias Gráficas
1935/1936 - Trabalha com o escritor Júlio Cortazar e atua como desenhista do jornal El Diário
1939 - Buenos Aires (Argentina) - Realiza ilustrações para o livro Macumba, Relatos de la Tierra Verde, de Bernardo Kardon publicado pela Editora Tiempo Nuestro
1940 - Ilustra o livro Macunaíma de Mário de Andrade
1941 - Desenha o Almanaque Esso, cujo pagamento lhe permite realizar um longa viagem pelo Uruguai, Brasil, Bolívia e Argentina
1942 - Buenos Aires (Argentina) - Ilustração para o livro La Carreta de Henrique Amorim publicado pela Editora El Ateneo
1943 - Buenos Aires (Argentina) - Junto com Raul Brié, traduz para o espanhol o livro Macunaíma de Mário de Andrade
1943 - Buenos Aires (Argentina) - Produz ilustrações para os obras Maracatu, Motivos Típicos y Carnavalescos de Newton Freitas publicado pela Editora Pigmaleon; Luna Muerta de Manoel Castilla publicado pela Editora Schapire e Amores de Juventud de Casanova Callabero. Também publica e ilustra Me voy al Norte, pela revista trimestral Libertad Creadora
1943 - Buenos Aires (Argentina) - Recebe o Primeiro Prêmio da Câmara Argentina del Libro pela ilustração do livro Juvenília, de Miguel Cané
1944 - Buenos Aires (Argentina) - Ilustra os livros Poesias Completas de Walt Whitmann e A Cabana do Tio Tomás, ambos pela Editora Schapire e Los Quatro Gigantes del Alma de Mira y Lopez
1944 - Salvador BA - Freqüenta aulas de capoeira, visita candomblés e realiza desenhos e pinturas
1945 - Buenos Aires (Argentina) - Faz ilustrações para o obra Robinson Crusoe de Daniel Defoe, para a Editora Viau
1946 - Rio de Janeiro RJ - Auxilia na montagem do jornal Tribuna da Imprensa
1947 - Rio de Janeiro RJ - Trabalha no jornal O Diário Carioca
1948 - Buenos Aires (Argentina) - Produz texto e ilustrações para o livro Ajtuss, Ediciones Botella al Mar
1949/1950 - Rio de Janeiro RJ - Convidado por Carlos Lacerda para trabalhar na Tribuna da Imprensa
1950 - Salvador BA - A convite do Secretário da Educação Anísio Teixeira, muda-se para a Bahia, produzindo naquele ano dois painéis para o Centro Educacional Carneiro Ribeiro (Escola Parque)
1950/1997 - Salvador BA - Fixa residência
ca.1950/ca.1960 - Salvador BA - Participa ativamente do movimento de renovação das artes plásticas, ao lado de Mário Cravo Júnior, Genaro de Carvalho e Jenner Augusto
1951 - Salvador BA - Produz texto e ilustrações para obra Coleção Recôncavo, editado pela Tipografia Beneditina e ilustrações para o livro Bahia, Imagens da Terra e do Povo de Odorico Tavares, lançado pela Editora José Olímpio do Rio de Janeiro. Por este trabalho obtém a medalha de ouro na 1ª Bienal de Livros e Artes Gráficas
1952 - São Paulo SP - Realiza cerca de 1. 600 desenhos para as cenas do filme O Cangaceiro, de Lima Barreto. Trabalha, ainda, como diretor artístico e aparece como figurante neste filme
1953 - Rio de Janeiro RJ - Ilustração para o livro A Borboleta Amarela de Rubem Braga, Editora José Olímpio
1955 - Salvador BA - Ilustra a obra O Torso da Baiana, editada pelo Museu do Estado da Bahia
1957 - Produz águas-fortes, com desenhos originais para edição especial do livro Macunaíma, de Mário de Andrade, lançado pela Sociedade dos 100 Bibliófilos do Brasil
1958 - Nova York (Estados Unidos) - Realiza mural em óleo para o Escritório da Petrobras
1958 - Rio de Janeiro RJ - Ilustra o livro As Três Mulheres de Xangô de Zora Seljan, Editora G. R. D.
1959 - Nova York (Estados Unidos) - Participa do concurso para a escolha do projeto de execução de painéis para o Aeroporto Kennedy - primeiro e segundo prêmios
1961 - São Paulo SP - Ilustra o livro Jubiabá de Jorge Amado, Editora Martins Fontes
1963 - Salvador BA - Recebe o título de Cidadão da Cidade de Salvador
1965 - Rio de Janeiro RJ - Ilustra A Muito Leal e Heróica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, obra lançada pela Editora Raymundo Castro Maya
1966 - Rio de Janeiro RJ - É co-autor com Jorge Amado da obra Bahia, Boa Terra Bahia, Editora Image
1966 - São Paulo SP - É autor (texto e ilustrações) do livro Olha o Boi, lançado pela Editora Cultrix
1967 - Salvador BA - Recebe o Prêmio Odorico Tavares - Melhor Plástico de 1967. Concurso instituído pelo governo do Estado para estimular o desenvolvimento das artes plásticas na Bahia
1967 - Salvador BA - Realiza o Painel dos Orixás para o Banco da Bahia (atualmente cedidos ao Museu Afro-Brasileiro da UFBA)
1968 - Ilustra os livros Carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei Dom Manuel, Editora Sabiá (Rio de Janeiro) e Capoeira Angolana de Waldeloir Rego, Editora Itapoã (Salvador)
1969 - Rio de Janeiro RJ - Produz ilustrações para o livro Ninguém Escreve ao Coronel, de Gabriel Garcia Marquez, Editora Sabiá
1970 - Rio de Janeiro RJ - Realiza ilustrações para os livros O Enterro do Diabo e Os Funerais de Mamãe Grande editado pela Editora Sabiá
1970 - Nova York (Estados Unidos) - Realiza ilustrações para o livro Agotimé her Legend de Judith Gleason editado pela Grossman Publishers
1971 - Rio de Janeiro RJ - Ilustra os livros Cem Anos de Solidão de Gabriel Garcia Marquez e A Casa Verde de Mario Vargas Llosa, ambos da Editora Sabiá
1971 - São Paulo SP - Produz texto e ilustração para o livro Candomblé da Bahia, lançado pela Editora Brunner
1973 - Rio de Janeiro RJ - Ilustração o livro de Gabriel Garcia Marquez, A Incrível e Triste História de Cândida Erendira e sua Avó Desalmada
1973 - Salvador BA - Realiza mural para a Assembléia Legislativa e painel para a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia
1974 - Salvador BA - Produz xilogravuras para o livro Visitações da Bahia publicado pela Editora Onile
1976 - Rio de Janeiro RJ - Ilustra o livro O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá: uma história de amor de Jorge Amado
1976 - Salvador BA - Recebe o título de Cavaleiro da Ordem do Mérito da Bahia
1977 - Magé RJ - Diplomado com a Honra ao Mérito Espiritual Culto Afro-Brasileiro, Xangô das Pedrinhas ao Obá de Xangô Carybé
1978 - Rio de Janeiro RJ - Realiza a escultura em concreto Oxossi no Parque da Catacumba. Ilustra o livro A Morte e a Morte de Quincas Berro D´Água de Jorge Amado, Edições Alumbramento
1978 - Rio de Janeiro RJ - Ilustra o livro A Morte e a Morte de Quincas Berro D´Água de Jorge Amado publicado pelas Edições Alumbramento
1979 - Salvador BA - Produz xilogravuras para o livro Sete Lendas Africanas da Bahia, lançado pela Editora Onile
1980 - Rio de Janeiro RJ - Desenha figurinos e cenário para o Ballet Quincas Berro D´Água, no Teatro Municipal
1981 - Publica pela Editora Raízes a obra Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia, o qual dedicou 30 anos de pesquisa
1982 - Salvador BA - Recebe o título de Doutor Honoris Causa de UFBA
1983 - Lagos (Nigéria) - Realiza painel para a Embaixada Brasileira
1984 - Espírito Santo - Recebe a Comenda Jerônimo Monteiro no Grau de Cavaleiro
1984 - Salvador BA - Recebe a Medalha do Mérito Castro Alves, concedida pela Academia de Letras da UFBA
1984 - Salvador BA - Realiza escultura em bronze Homenagem à Mulher Baiana, no Shopping Center Iguatemi
1985 - Salvador BA - Desenha figurinos e cenografia para o espetáculo La Bohéme, no Teatro Castro Alves
1985 - Salvador BA - Ilustra o livro Lendas Africanas dos Orixás de Pierre Verger publicado pela Editora Currupio
1992 - Rio de Janeiro RJ - Ilustra o livro O Sumiço da Santa: uma história de feitiçaria de Jorge Amado
1995 - São Paulo SP - Ilustração do livro O uso das plantas na sociedade Iorubá e Pierre Verger
1996 - Capeta Carybé, de Agnaldo Siri Azevedo (curta). Adaptação do livro O Capeta Carybé, de Jorge Amado, sobre o artista plástico Carybé, nascido na Argentina e que veio a tornar-se o mais baiano dos brasileiros.
1997 - Ilustração do livro Poesias de Castro Alves
Atualizado em 29/04/2005
Fonte: Itaú Cultural
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