Sejam Bem-Vindos à Galeria de Artes Abaporu
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Tarsila do Amaral

  • Obras
  • Biografia
  • Curriculum
  • Exposições
  • Especial
 
Título: Abaporu
Artista: Tarsila do Amaral
Técnica: Pintura óleo s/ tela
Medida: 85x73 cm
Ano: 1928
Comentários:   ESTA OBRA PERTENCE AO COLECIONADOR ARGENTINO EDUARDO CONSTANTINI, E ESTÁ AVALIADA EM U$ 8 MILHÕES
Preço: Sob Consulta
Código: 4079/1
 

 
Título: Abaporu (Releitura)
Artista: Tarsila do Amaral
Técnica: Pintura óleo s/ tela
Medida: 85x73 cm
Ano: 2007
Comentários:   Releitura da Obra Abaporu feita pelo artista plástico Romano Di Martino.
Preço: Sob Consulta
Código: 5631/1
 

 
Título: Antropofagia - 1929
Artista: Tarsila do Amaral
Técnica: Gravura em serigrafia
Medida: 25x26 cm
Ano: s/d
Comentários:   Gravura de nº X do Albúm 0029 de Tarsila do Amaral de autoria de Sérgio Milliet
Preço: R$ 1500.00
Código: 5977/1
 
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Título: Nú - 1923
Artista: Tarsila do Amaral
Técnica: Gravura em serigrafia
Medida: 23x19 cm
Ano: s/d
Comentários:   Gravura de nº I do album 0029 de Tarsila do Amaral de autoria de Sérgio Milliet
Preço: R$ 1400.00
Código: 5979/1
 
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Em São Paulo, estudou com Pedro Alexandrino (1917) e com Georg Fischer Elpons (1920). Em 1920 viajou para Paris, onde estudou na Academia Julian e freqüentou os ateliês de André Lhote, Fernand Léger e Albert Gleizes. Em 1922 pintou os retratos de Mário e Oswald de Andrade, em São Paulo. Em 1923, pintou em Paris a tela A negra. A partir daí começou a participar ativamente do movimento modernista, juntamente com Oswald, com quem se casou em 1926. Em 1928, pintou Abaporu, tela batizada por Oswald e pelo poeta Raul Bopp, segundo indicação de Mário da Silva Brito e de Aracy Amaral.





O Abaporu, que tanta celeuma causou em 1995, nos anos 20 serviu de inspiração ao movimento antropofágico, marco do modernismo brasileiro. Em 1950, Sergio Milliet organizou retrospectiva da artista no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Tarsila participou também da I Bienal de São Paulo, em 1951. Em 1964, participou da Bienal de Veneza e em 1969 o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro inaugurou uma grande exposição de sua obra: 50 Anos de Pintura.



Na introdução do livro Tarsila: sua obra e seu tempo, escreveu Aracy Amaral: "Dizer Tarsila até agora é visualizar um tipo de pintura bem intimista, bem construída, numa estilização bem casada com o colorido muito brasileiro do casario, da paisagem, dos temas da vida rural ou da cidade grande dos anos 20 em São Paulo." Em 1995, em São Paulo, a Galeria Arte do Brasil realizou uma coletiva chamada Filhos do Abaporu, em homenagem à artista. De 29 de setembro a 30 de novembro de 1997, a Galeria de Arte do Sesi, também em São Paulo, realizou a mostra Tarsila: Anos 20, com curadoria de Sônia Salsztein e consultoria de Aracy Amaral.



Fonte: www.bolsadearte.com e www.tarsiladoamaral.com.br








© www.artenarede.com
Formação
1901/1902 - São Paulo SP - Estuda no Colégio Sion
ca.1902/1904 - Barcelona (Espanha) - Estuda no Colégio Sacré-Coeur
1916 - São Paulo SP - Estuda escultura e modelagem com William Zadig (1884 - 1952) e Mantovani
1917 - São Paulo SP - Inicia estudo de desenho e pintura com Pedro Alexandrino (1856 - 1942)
1920 - São Paulo SP - Estuda com o pintor Georg Elpons (1865 - 1939)
1920 - Paris (França) - Freqüenta a Académie Julien e também estuda com Emile Renard (1850 - 1930) e faz cursos livres de desenho
1923 - Paris (França) - Estuda com André Lhote (1885 - 1962), Fernand Léger (1881 - 1955) e Albert Gleizes (1881 - 1953)

Cronologia
Pintora, desenhista
1886/1898 - Jundiaí e Capivari SP - Cresce em fazendas nos dois municípios
1898/ca.1902 - São Paulo SP - Vive nessa cidade
1902ca./1904 - Barcelona (Espanha) - Faz suas primeiras experiências com pinturas, realizando cópias |
1904 - Retrona ao Brasil e casa-se com André Teixeira Pinto, vive na Fazenda São Bernardo e em seguida na Fazenda Sertão, aonde nasce sua filha Dulce em 1906
1913 - São Paulo SP - Muda-se para a cidade
1922 - Paris (França) - A estudo vai para Espanha e Inglaterra
1922 - São Paulo SP - Retorna ao Brasil e forma o Grupo dos Cinco, com Anita Malfatti (1889 - 1964), Mário de Andrade (1893 - 1945), Menotti del Picchia (1892 - 1988) e Oswald de Andrade
1922/1923 - Paris (França) - Viaja a estudo para Portugal, Espanha e Itália, com Oswald de Andrade. Conhece Blaise Cendrars (1887 - 1961) que os apresenta a Brancusi, Jean Cocteau, Satie, Gauthier e Valery Larbaud
1923 - Regressa ao Brasil
1924 - Inicia a pintura Pau-Brasil
1924 - Minas Gerais - Acompanha o poeta Blaise Cendrars, com Oswald de Andrade, Olívia Guedes Penteado, Mário de Andrade, Godofredo Silva Telles, René Thiollier e Oswald de Andrade Filho, em viagem às cidades históricas. Realiza uma série de trabalhos baseados em esboços feitos durante essa viagem.
1924 - Com a revolução de 1924 refugia-se com a família na Fazenda Sertão
1924 - Paris (França) - Ilustra Feuilles de Route - I. Le Formose, de Blaise Cendrars
1924/1925 - Itália - Viaja com Oswald de Andrade
1925 - Paris (França) - Ilustra Pau Brasil, livro de poemas de Oswald de Andrade
1925 - São Paulo SP - Ao regressar ao Brasil passa a funcionar o salão da casa na Rua Piracicaba, onde Tarsila e Oswald recebem os modernistas
1926 - Paris (França) - O casal viaja para preparar a exposição de Tarsila
1926 - Grécia, Turquia, Rodes, Cipres, Israel e Egito - Realizam viagem
1928 - Pinta Abaporu, tela que inspira o movimento que surge com a publicação do Manifesto Antropófago na Revista de Antropofagia, desencadeado por Oswald de Andrade e Raul Bopp
1929 - Com o crise econômica de 1929 o casal perde a Fazenda Santa Tereza do Alto, que ficará hipotecada até 1937
1930 - São Paulo SP - Obtém seu primeiro emprego como diretora da Pinacoteca do Estado de São Paulo - Pesp, deixando o cargo com a mudança de governo
1931 - Europa - Visita a União Soviética, com Osório César, e permanece alguns meses em Paris
1932 - São Paulo SP - Tarsila é presa por aproximadamente um mês, por suas posições políticas e pela viagem à URSS
1932/1934 - São Paulo SP - Participa da Sociedade Pró - Arte Moderna - SPAM
1933 - Começa uma fase voltada para temas sociais com as obras Operários e 2ª Classe
1933 - Montevidéu (Uruguai) - Realiza viagem com Osório Cesar para participar de congresso político
1934 - Inicia atividade na imprensa jornalística
1935/1938 - Rio de Janeiro RJ - Vive nessa cidade
1936 - Inicia a publicação de artigos no Diário de S. Paulo também publicadas em O Jornal do Rio de Janeiro
1938/1973 - Estado de São Paulo - Alterna sua vida entre a fazenda em Capivari e São Paulo
1940 - Rio de Janeiro RJ - A Revista Acadêmica dedica número especial em sua homenagem
1940/1944 - Faz ilustrações para a série Os Mestres do Pensamento, dirigida por José Perez
1944 - Belo Horizonte e Ouro Preto MG - Viaja por essas cidade em companhia de Alfredo Volpi (1896 - 1988), Mario Schenberg, Oswald de Andrade e outros
1945 - Realiza uma série de gravuras para o livro Poesias Reunidas de O. Andrade, a pedido do autor, Oswald de Andrade
1947/1948 - Faz ilustrações especialmente retratos de grandes personalidades para o jornal O Estado de S. Paulo
1952 - Rio de Janeiro RJ - Prêmio 1952 de Artes Plásticas da Municipalidade de São Paulo, organizado pelo Jornal de Letras
1954 - São Paulo SP - Realiza o painel Procissão do Santíssimo, para o Pavilhão de História do Parque do Ibirapuera, a convite da Comissão do 4º Centenário de São Paulo
1956 - São Paulo SP - Realiza painel Batizado de Macunaíma sobre a obra de Mário de Andrade para a Livraria Martins Editora
1961 - São Paulo SP - Vende sua fazenda e instala-se definitivamente na capital
1970 - Rio de Janeiro RJ - Premiada com o Golfinho de Ouro, melhor exposição de 1969

Atualizado em 04/11/2005
Fonte: Itaú Cultural
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Fonte: Jornal do Brasil - 15 de janeiro de 2001.

Vivendo à margem da crise na Argentina

MÁRCIA CARMO


O empresário Constantini com uma de suas aquisições, o Abaporu, de Tarsila do Amaral

BUENOS AIRES - No inverno, Eduardo Constantini joga tênis três vezes por semana. No verão, tênis, golfe e surfe. Há cerca de quatro anos, ele ficou conhecido no Brasil como o empresário que comprou o quadro Abaporu, de Tarsila do Amaral. Agora, aqui, ele é famoso por ser o dono do que será, a partir de setembro, um dos principais museus da América Latina, o Malva. Juntas, suas duzentas e vinte obras - incluindo a de Tarsila, outras de Frida Khalo e tantas outras - valem US$ 50 milhões.

Milionário, ele é apenas o exemplo dos que aqui vivem à margem da crise argentina. Talvez não tão à margem assim. Mas que não precisaram mudar de hábitos ou deixar de sair de casa por temer as seqüelas do caos financeiro e econômico. Constantini vai inaugurar este ano um condomínio de 1.600 hectares - um lugar que terá dez bairros. Ali, na localidade do Tigre, Norte da cidade de Buenos Aires, onde foi inaugurado, na semana passada, o clube de tênis, de remo e de outros esportes. Os preços dos terrenos vão de US$ 50 mil a US$ 1 milhão. E não falta comprador. Orgulhoso da própria ousadia, em tempos de raros investimentos no país, ele disse ao JB: ''Acho que a gente não tem que se abater pelo baixo astral. Mas é claro que se a crise continuar neste nível, acabará nos afetando''.

O direito a manter o padrão de vida, nesta cidade, apesar das mazelas da crise, não é um privilégio dos milionários ou bem apessoados ou bem nascidos. Na classe média, para muitos a vida continua. A jornalista Sílvia Mercado, que tem uma consultora que leva seu nome, não conseguiu passagem para viajar nestas férias com o filho Facundo a Miami. ''Consegui para Nova Iorque, mas só a ida. Para a volta nem lista de espera'', disse. Para Sílvia, a Argentina é feita de dois países. Um paralisado pela recessão, que entra no seu quarto ano de estancamento econômico, desemprego de mais de 16% e falta de perspectivas. O outro lota os salões de tango pelo menos, como ela, duas vezes por semana. Faz ginástica e sauna outras tantas vezes, tem hora marcada, semanalmente, no salão de beleza e não alterou sua rotina. Ao contrário. ''Mas na hora de sentar num café ou num restaurante com um amigo, a gente lamenta. Lamenta a crise depois de ter feito a ginástica, depois de ter bailado o tango e enquanto toma um bom copo de vinho'', reconhece. E a crise? Para Sílvia, talvez alguns lugares muito caros estejam sofrendo mais que outros, que oferecem preços mais acessíveis para este público. ''Os lugares que freqüento estão sempre cheios. Vou a um restaurante que cobra US$ 10 pelo almoço e como aqui os vinhos, dos mais baratos aos mais caros, melhoraram de qualidade, me divirto sem gastar muito'', diz. ''Para aprender tango, por exemplo, pago US$ 5 pela aula. Na semana passada, fui a uma apresentação de teatro e paguei US$ 1''. Talvez os novos tempos estejam ampliando ainda mais a lista de opções nesta terra que tem títulos como de possuir a ''melhor carne do mundo'', o ''melhor escritor latino'', Jorge Luís Borges, e as exuberantes imagens das baleias na província de Chubut, e as geleiras em Perito Moreno, no extremo sul, na Patagônia.

É neste país onde vivem Eduardo Constantini e Sílvia Mercado e tantos outros que a livraria Cúspide, no Village Recoleta, na capital, oferece um livro de fotos por US$ 2,6 mil. Nos últimos sete dias, a livraria vendeu três deste exemplares do livro de fotos de Helmut Newton. Na sexta-feira, restava apenas um. A poucas quadras dali, num supermercado da cidade, os preços do champanhe podem chegar a até US$ 5 mil a garrafa. Ou mais. À noite, é possível caminhar ou se sentar num dos restaurantes, sempre lotados, do bairro Lãs Cañitas, em Belgrano, a vinte minutos do centro da cidade. Buenos Aires, apesar da angústia de muitos, ainda é um cartão postal para os brasileiros que freqüentam lugares turísticos como a feira de San Telmo, os parques verdes do bairro de Palermo ou os cinemas de última geração do complexo Village Recoleta. Esse turista não deve entender por que aqui se fala tanto em crise. E por que esse mesmo país que é a ameaça de uma crise financeira mundial - só fica atrás da Nigéria - é o primeiro em qualidade de vida na América Latina. Na quarta-feira, quando aqui, no Brasil e em outras partes do mundo só se comentava o risco da Argentina mergulhar no calote, a ONU divulgou o resultado anual do Programa de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas (PNUD). Nele, a Argentina aparece como o país com melhores condições de vida da América Latina. Entre os 160 países pesquisados, o país presidido por Fernando de la Rúa está no 34° lugar. A Argentina, das raízes européias, que não sabe bem como enfrentar os males da pobreza, está à frente do Uruguai (posto 37°), do Chile (posto 39°) e do Brasil (posto 69°). ''Aqui podemos dizer que temos uma boa vida'', diz o publicitário Charly Fiorentino. Para ele, a crise o afeta. Mas não paralisa seus desejos. Em março, ele passou um mês com a namorada Paula Perez na Índia e no Nepal. Eles se casam em outubro. E, diferente de muitos argentinos, fazem planos. Estão em dúvida entre passar a lua de mel na Polinésia, na Praia Del Carmem, no México, ou em Fernando de Noronha, no Brasil. Talvez Eduardo Constantini, Sílvia Mercado e Charly Fiorentino vivam mesmo à margem da crise. Talvez não. Talvez, guardadas as diferenças entre eles, aprenderam a lidar com a crise, deixando de lado o amargo e paralisante sentimento de frustração que afeta muitos. E com direito a fazer planos. O que aqui não é tão comum como no Brasil
Tarsila do Amaral
(1886-1973)




O professor
e a aluna

Estamos em São Paulo, no longínquo ano de 1917, no bem instalado ateliê do pintor Pedro Alexandrino Borges, outrora paisagista, mas que, neste instante, se dedica a pintar quase que tão somente naturezas-mortas.

Foi seu professor, Almeida Júnior, que lhe desviou os passos, quando, ao ver um quadro com frutas e flores, que o aluno acabara de pintar, disse-lhe impressionado: «Não pinta senão isso. É a tua arte.»

Não se sabe se o conselho foi ajuizado, mas o certo é que, desde então, esse passou a ser o gênero preferido do pintor, que agora encontramos, em 1917, já sexagenário. E não só pintava naturezas-mortas, como também era o que ensinava aos alunos, com rédea curta, dentro dos cânones da arte acadêmica, sem permitir-lhes qualquer desvio ou experiência com os novos estilos que faziam furor na Europa e, de maneira ainda incipiente, começavam a chegar ao Brasil.

Ao seu lado se acha a mais nova aluna, nova nas artes, pois iniciava seu aprendizado já com 31 anos, idade em que muitos outros já tinham galgado o patamar da fama. Mas Tarsila – pois é dela que estamos falando – era uma aluna aplicada e mostrava bastante aptidão, animando o mestre, que esperava fazê-la uma artista razoável no gênero.
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Encontro com
o destino

A porta se abre e entra outra jovem, aparentemente da mesma idade mas, pelo diálogo que mantêm com o mestre, percebe-se que a recém-chegada tem um apreciável desenvolvimento, demonstrando bastante familiaridade com a arte. Não buscava as primeiras noções, nem um aperfeiçoamento artístico: Ferida com recentes experiências, punha de lado a arte que sabia fazer, para, no mais velho estilo, aprender a pintar também, naturezas-mortas.

As duas jovens se apresentam, uma à outra, e desenvolvem animada conversação, tão à vontade que, quem as visse, pensaria tratar-se de amigas da infância. Inicia-se naquele momento uma longa, dedicada e proveitosa amizade entre Tarsila do Amaral e Anita Malfatti, uma amizade em que as duas se apoiam, uma à outra, e se complementam.

Tarsila, três anos mais velha e segura de si, foi o esteio de Anita, que era tímida e se achava numa fase de total desorientação, após as críticas que recebera em sua exposição modernista. Anita, por sua vez, artista experiente, deu a Tarsila o impulso de que necessitava. A partir daquele instante, uma e outra, cada uma por seu estilo próprio, se preparavam para alçar vôo e conquistar uma fama longa e duradoura.
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Em busca de
novos rumos

Tarsila do Amaral nasceu em 1886 em Capivari-SP, e faleceu na cidade de São Paulo em 1973. A arte entrou em sua vida acidentalmente, em 1916, quando começou a aprender modelagem com Zadig e Mantovani.

Transferindo seu interesse para a pintura, no ano seguinte começou a ter aulas com Pedro Alexandrino e, em 1920, já estava viajando para Paris, onde matriculou-se na Academia Julian, voltando a São Paulo em fins de 1922, em tempo de sentir um ambiente efervescente, após a Semana da Arte Moderna, que acabara de se realizar.

No seu reencontro com Anita, ambas juntaram-se a Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia, remanescentes da «Semana» e fundaram o Grupo dos Cinco, procurando manter viva a polêmica instaurada com esse movimento artístico.

Em 1923, o grupo se desintegra e Tarsila volta a Paris, para uma nova rodada de estudos, ocasião em que conhece a arte dos novos pintores, músicos e escritores, entre eles Pablo Picasso e Manuel de Falla.



O fascínio de
Minas Gerais

Ainda na França, Tarsila pinta A Negra, denotando uma completa mudança de estilo, desvinculada já da tutela de seu primeiro professor, e livre para tentar coisas novas.

Mas foi no ano seguinte que, retornando ao Brasil e fazendo um passeio por Minas Gerais, ela descobre novos rumos para sua arte. As cidades históricas de Minas, desde os velhos tempos, sempre despertaram fascínio nos pintores que por lá passaram, brasileiros ou não. Alguns, como Guignard, por lá ficaram até o fim da vida.

Nas montanhas alterosas, Tarsila descobre temas brasileiros que vão se constituir na alma de sua pintura e inicia uma fase conhecida como do «Pau Brasil», que vai durar em torno de três anos. São as velhas cidades, o homem rude das matas, as flores silvestres e o forte colorido da natureza que se transportam para suas telas, com toda vivacidade.
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Tarsila, Oswald
e Abaporu

Desde algum tempo, Tarsila e Oswald de Andrade vinham entretendo um romance, que acabou em casamento no ano de 1926, verificando-se uma junção de propósitos com o início do Movimento Antropofágico.

Foi então que surgiu o seu mais famoso quadro, o Abaporu, famoso e valioso, pois em um leilão realizado em 1995, nos Estados Unidos, foi arrematado por cerca de um milhão e meio de dólares!

Tarsila pintou o Abaporu para impressionar Oswald. A intenção era criar um ser antropófago e o nome saiu mesmo de um dicionário de tupi-guarani. Não esperava, porém, tamanho impacto. Chamado por Tarsila, Oswald vai ao ateliê nos Campos Elísios e, ao ver o quadro, exclama: «Mas o que é isso ?!» De imediato, telefonou ao amigo Raul Bopp, pedindo-lhe que viesse sem mais demora. É ela que conta:

«Bopp foi lá no meu ateliê, na rua Barão de Piracicaba, assustou-se também. Oswald disse: "Isso é como se fosse um selvagem, uma coisa do mato" e Bopp concordou. Eu quis dar um nome selvagem também ao quadro e dei Abaporu, palavras que encontrei no dicionário de Montóia, da língua dos índios. Quer dizer antropófago.»

O casamento dos dois também foi devorado, pouco tempo depois. Em 1930, Tarsila e Oswald se separaram, seguindo cada um seu próprio destino.
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Perseguida
pela História

Ninguém, nem o cidadão mais simples, está livre de sofrer em sua vida as conseqüências da conjuntura histórica e Tarsila foi alvo dela por alguns anos.

Até 1929, sua situação financeira era confortável, permitindo-lhe manter um bom padrão de vida. Nesse ano, porém, ocorreu a «Quinta-Feira Negra» na Bolsa de Nova York, fazendo despencar o valor das ações a níveis aviltantes e abrindo uma crise sem precedentes na economia dos Estados Unidos, que em breve se espalharia por todo o mundo.

O Brasil foi dos primeiros a sofrer as conseqüências. Com a cultura voltada quase que exclusivamente para o café, que era praticamente o único produto para exportação, o país viu devorados rapidamente todos os seus mercados, primeiro na América do Norte e depois na Europa.

O efeito imediato foi a quebra de empresas ligadas ao ramo, que arrastaram para o fundo toda a economia do país e, ainda em 1929, Tarsila conheceu o caminho da riqueza para a pobreza.
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A História,
outra vez, em
seu caminho

Procurando dar-lhe um apoio, a Pinacoteca, órgão do Governo do Estado, oferece-lhe o cargo de diretora-conservadora, mas o emprego acaba sendo de curta duração, pois, em 1930, cai a 1ª República e o novo Presidente, Getúlio Vargas, nomeia um interventor, para substituir o governador deposto. Muda, assim, a política, e saem aqueles que ocupavam cargos de confiança, inclusive ela.

Em 1931, Tarsila viaja para a União Soviética, expõe no Museu de Arte Ocidental de Moscou e consegue vender o quadro O Pescador, que passou a integrar o acervo daquela instituição.

Estávamos há 14 anos da revolução comunista e a nova face do regime, criando uma atmosfera de ascensão do proletariado, impressionou a artista que, de volta ao Brasil, iniciou a série Operários, focalizando o homem simples, rude, sofrido, na busca do pão de cada dia.

Não era sua praia. Muito pouco politizada, não a encantava a pregação contra injustiças sociais e, em breve, voltou à temática do Pau Brasil, iniciada em Minas, só que agora em nova versão e tomando formas mais delicadas, com as arestas aparadas pela experiência dos últimos anos.
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Muito além do
céu azul

A década de 40 veio encontrar uma Tarsila no auge de sua arte, com um mercado duramente conquistado, mas agora sólido e definido. Sucederam-se exposições individuais e participações e mostras coletivas. De tempos em tempos, surgiam retrospectivas de sua obra.

Em 1953, o Parque do Ibirapuera foi completamente remodelado para as comemorações dos 400 anos de São Paulo, a se realizarem no ano seguinte, e Tarsila participou com um mural. No mais, seu trabalho passou a ser apreciado e considerado em exposições de arte moderna no Brasil e no exterior.

Sobre sua arte e a liberdade de expressão, a melhor definição, vem dela mesma: «Pintura limpa, sobretudo, sem medo dos cânones convencionais. Liberdade e sinceridade, uma certa estilização que a adaptava à época moderna.»

Estando entre os pioneiros na introdução do modernismo no Brasil, Tarsila enfrentou a mesma oposição e, por vezes, o achincalhe dos conservadores, mas recebeu também referências consagradoras, como a de José Severiano de Resende:

«O fato é que uma moça saída da Paulicéia, Tarsila – o que não a impede de ser uma perfeita parisiense – pôs num chinelo mestres e aprendizes. É uma discípula entusiasta de si mesma, uma autodidata, desiludida das pálidas formas e dos mundos amorfos.

«E com que certeza de sua arte, com que orgulho de sua íntima ingenuidade, com que compreensão de seu forte temperamento! Tarsila não se perde em quatro caminhos, não recorta fios de cabelo, nem procura meio-dia às quatorze horas. Sua matemática é muito simples e sua álgebra não é abstrusa. Ela pinta um Brasil radioso.»

Texto de Paulo Victorino
Fonte Site Pitoresco




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